Multinacionais do café deixam rastro de miséria
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sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Das agências 
A Oxfam, organização não-governamental britânica dedicada ao combate à pobreza, lançou esta semana uma campanha mundial para elevar os preços do café e, com isso, melhorar as condições de vida dos cafeicultores dos países em desenvolvimento. Segundo a Oxfam, 25 milhões de pessoas em 45 países estão enfrentando ''um desastre econômico - e muitos estão passando fome - por causa do colapso dos preços do café'', que atingiu seus níveis mais baixos dos últimos trinta anos.
Com o campanha, a Oxfam pretende forçar ''os gigantes corporativos que dominam essa indústria de US$ 60 bilhões a pagarem um preço decente aos produtores''. Segundo a entidade, os grupos Kraft, Sara Lee, Procter & Gamble e Nestle, que comercializam marcas como Maxwell House, Kenco e Nescafé, compram cerca de metade da safra mundial de café e obtêm lucros enormes. A Oxfam calcula que apenas 5% do preço final do café instantâneo é transferido ao cafeicultor.
''Essas empresas sabem que há um sofrimento humano terrível no coração de seus negócios e mesmo assim não fazem nada para ajudar'', disse o diretor de campanha da Oxfam, Adrian Lovett. ''Chegou a hora de denunciar essas empresas, envergonhá-las e mudar essa situação.''
No lançamento da campanha, em Londres, a Oxfam levou seis burros carregando sacas de café com a inscrição ''fair trade'' (comércio justo) na City, o centro financeiro da capital britânica.
A OIC, que se reunirá na próxima semana em Londres, tem condições de iniciar a solução da crise, mas se queixa da indiferença dos governos dos países produtores.


