Mulheres vendem gado selecionado
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sábado, 10 de novembro de 2001
Cláudia Barberato<br>de Londrina 
Sozinhas ou em conjunto com maridos, filhos, técnicos, administradores e outros profissionais, as mulheres têm marcado cada vez mais presença na agropecuária brasileira. Em Londrina um grupo que atua no setor promove há três anos um leilão para venda de gado de corte especial. O leilão é um meio de mostrar os resultados obtidos na atividade.
''Muitas delas trabalham diretamente na atividade, outras dão suporte aos maridos ou filhos que assumiram os negócios da família e a realização de um leilão serve para mostrar o resultado do nosso trabalho'', explica Maria Lopes Kireeff uma das organizadoras do remate.
Cria, recria e engorda
Esse ano o 3º Leilão Mulheres, em parceria com a Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina e apoio da Sociedade Rural do Paraná, está marcado para a próxima terça-feira, dia 13, a partir das 19 horas no Recinto de Leilões José Garcia Molina, Parque Governador Ney Braga, em Londrina.
A venda deverá somar um oferta entre 1000 a 1200 animais, entre machos e fêmeas nelores e cruzados, desde desmamados até prontos para a engorda. ''Estamos numa fase de reposição de animais e as pastagens já começam a recuperar-se do inverno,'' diz Maria Lopes. ''As vendedoras de animais são mulheres mas o leilão é aberto para que os homens também participem das compras,'' brinca Maria Lopes.
Suporte e gerenciamento
Maria Lopes e Ebe Ferraz Simoni, duas das pioneiras na atividade pecuária no Paraná, contam que muitas mulheres estão atuando hoje na agropecuária. A Sociedade Rural do Paraná, com sede em Londrina, tem uma lista de 72 associadas. ''Existem as que trabalham diretamente na atividade e outras que que cuidam dos negócios organizando, por exemplo, a parte social da propriedade agrícola'', garante Ebe Simoni.
Segundo ela o trabalho tem objetivo de organizar, por exemplo, a implantação de escolas para filhos de funcionários, auxiliar as mulheres que moram na fazenda para a fabricação de produtos alternativos de renda como queijos, doces e compotas, ou ainda cuidar da parte administrativa. ''Muitas dessas mulheres não aparecem, mas são um suporte e um alicerce para que tudo corra bem numa propriedade rural,'' explica Ebe Simoni.
Intuição vale muito
A administradora de empresas Kátia Tóffolo escolheu o tema sobre a participação da mulher como empreededora agropecuária para sua tese de pós-graduação. Parte do trabalho já está concluído e Kátia observa que quando o tema mulher no campo é abordado, muitas vezes, o enfoque é para a trabalhadora rural e não para a administradora.
''Nos últimos anos cresceu o número de mulheres que têm assumido os negócios agropecuários, antes uma atividade caracterizada como masculina. Na administração de propriedades a dedicação e a intuição feminina têm conseguido manter ou até elevar os índices de produtividade,'' afirma Kátia.
Segundo a presidente da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina Vera Lúcia Camargo as mulheres que hoje estão assumindo novos postos de trabalho, não só no setor agropecuário, e que não têm formação técnica na atividade procuram auxílio de profissionais da área e conseguem com dedicação mostrarem eficiência e bons resultados.
Serviço: Outras informações sobre o leilão poderão ser obtidas na Programa pelo telefone (43) 328-4200. A administradora Kátia Tóffolo estará apresentando parte de sua tese de pós-graduação sobre Empreendedora Agropecuária no próximo dia 23 durante o 2º Encontro de Estudos sobre Empreendimentos e Gestão de Pequenas Empresas. O evento inclui outros temas e será realizado na Associação Comercial e Industrial de Londrina nos dias 23 e 24.


