Mulheres vão à luta
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sexta-feira, 18 de março de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Na área rural, quando a situação econômica da família começa a preocupar, a mulher toma a iniciativa de buscar alternativas para aumentar a renda familiar. O que pode parecer uma hipótese isolada, foi demonstrado em Congonhinhas (55 km ao Sul de Cornélio Procópio). A cidade que tem uma população predominantemente rural (5 mil habitantes no campo contra 3 mil na área urbana) possui também grupos de agricultoras organizados para geração de renda.
Segundo o Fórum Permanente de Desenvolvimento Sustentável de Congonhinhas, organização não governamental (ONG) há dois anos foi organizado um estudo de viabilidade econômica do município que apontou que a prioridade para o desenvolvimento sustentável dos pequenos e mini-produtores rurais seria a sua união em associações. Isso para que, juntos, pudessem comercializar melhor sua produção, aprender novas técnicas, participar de cursos e conhecer formas de geração de renda que complementassem a renda com o café o principal cultivo agrícola da região que era insuficiente.
A secretária executiva do Sindicato Rural local e integrante da ONG, Selma Setsuko Shimysu, conta que a grande preocupação era oferecer alternativas aos produtores para evitar a inviabilização das propriedades e, consequentemente, o êxodo rural. ''Fomentamos a criação de associações nos distritos, mas os homens não aderiram, só as mulheres'', lembra Selma. Foram criadas três entidades em 2002 e a que mais vem se destacando é a Associação Vaz A União Faz a Força, formada por 19 agricultoras das comunidades São Benedito e Nossa Senhora do Carmo, do Distrito do Vaz.
''São mulheres porreta mesmo. Se não dá certo uma coisa, partem logo para outra e estão sempre fazendo cursos para se atualizar. Fazem tudo sozinhas. Elas vão atrás de financiamentos e têm até caixa próprio'', elogia Selma. O grupo começou com atividades tradicionais, como produção de compotas, doces e queijos. Depois passou para a confecção de bonecas de porcelana e enveredou para a área de lingeries, onde se preparam para a instalação de uma fábrica. O grupo já possui duas máquinas de costura e esperam a aquisição de mais duas através de um contrato de comodato com a Prefeitura. Na escolha da atividade a associação foi acompanhada, durante seis meses, por um consultor do Sebrae. ''Esperamos iniciar a produção até julho'', diz a presidente da associação Evanir Ferreira.
Este ano a principal novidade foi o curso ''Oportunidades de negócios na área de turismo rural'', do qual elas participaram em fevereiro. ''A idéia é aproveitar o potencial das propriedades, que têm uma topografia bonita, montanhosa, para explorar o turismo rural''. observa Selma. Entre as metas da associação estão a abertura de trilhas para caminhada e construção de quiosques próximos aos riachos para atrair a população da região.
Mas as iniciativas não param. Este mês, as mulheres estiveram reunidas no centro comunitário para mais um curso, desta vez destinado à culinária. Foi um curso de preparo de massas caseiras com os principais pratos da cozinha italiana. Aproveitando o que cada uma já tem em sua propriedade, elas pretendem produzir lasanhas, rondelis e macarrão para serem vendidos às creches e escolas do município e, também, aos moradores da cidade. ''Não dá para dependermos unicamente da renda da propriedade'', justifica a associada Edina Helena de Oliveira. (Colaborou Célia Guerra)


