Mulheres também fizeram história
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 1997
Cristina Côrtes 
Arquivo particular
Arquivo FolhaPassadoMomento da abertura da Exposição em 79, quando Antonio Fernandes Sobrinho era presidente pela segunda vez. Foto de baixo, o casal Merces e Francisco Antônio Sciarra no Parque de Exposição
Memória
Apesar de não ter uma participação ativa nos negócios, as mulheres dos pioneiros da exposição de Londrina sempre apoiaram seus maridos, e guardam na lembrança as dificuldades e o trabalho para realizar as primeiras feiras.
Maria Terezinha de Souza Fernandes, esposa de Antônio Fernandes Sobrinho, e Merces Balducci Sciarra, esposa de Francisco Antônio Sciarra, falam com saudades e emoção dos tempos, não muito distantes, em que a cidade despertou para a pecuária.
Londrina ainda era uma cidade pouco desenvolvida, onde faltava quase tudo, mas nos empenhávamos em ajudar a organizar e receber os visitantes ilustres que vinham conhecer a feira, conta Maria Terezinha de Souza Fernandes.
Antônio Fernandes Sobrinho era presidente da Associação Rural de Londrina, quando se realizou a primeira Exposição Agropecuária de Londrina, em l955. Ela lembra que o marido era um idealista e via na pecuária uma alternativa à cafeicultura, até então a monocultura da região. Ele trabalhou muito para incluir a pecuária na Exposição que era somente agrícola, recorda.
Substituir o café Ninguém plantava nada além de café. Verduras, e legumes vinham de avião, de São Paulo, lembra Terezinha.A riqueza gerada pelo café era conhecida em outros Estados. Íamos com frequência a São Paulio para fazer compras e quando falávamos que éramos de Londrina, as portas todas se abriam. Era a fama da riqueza do Paraná.
Depois das geadas de 53 e 55, alguns cafeciultores começaram a pensar em diversificar. Terezinha conta que, quando seu marido foi ao Rio de Janeiro convidar o então Ministro da Agricultura, Bento Munhoz da Rocha Neto, para visitar a Exposição Agrícola de Londrina, Bento disse que os cafeicultores precisavam iniciar a pecuária aqui na região.
Desta época em diante, Antônio Fernandes, junto com outros entusiastas da atividade começaram a se reunir para organizar a realização da feira. Celso Garcia Cid foi o primeiro a apoiar o meu marido, e logo em seguida começou a trazer animais de fora, comenta.
Antônio Fernandes Sobrinho foi prefeito do município e depois voltou a ocupar a presidência da Sociedade Rural, em 78 (N.R.: Em 1966 a Associação Rural de Londrina transformou-se em Sociedade Rural do Norte do Paraná, que em 1970 mudou o nome para Sociedade Rural do Paraná). A feira sempre foi uma atração e motivo para trazer pessoas de fora para conhecer a riqueza da cidade. Políticos e criadores de outros Estados e até de outros países nos visitavam.
Terezinha comenta que as mulheres quase não participavam dos negócios, e ficavam mais na parte da recepção aos convidados, principalmente quando vinham acompanhados das esposas, o que era frequente. Mesmo depois que meu marido deixou a presidência, eu era chamada para ajudar a organizar as recepções. E sempre fiz com muita alegria, diz.
DedicaçãoDona Merces Sciarra conta que seu marido se dedicou muito à Sociedade Rural e participava de todas as iniciativas para estimular a agropecuária da região. Foi presidente da Rural de 69 a 70, e lutou pela instalação do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Londrina. Naquela época a disputa era grande entre Londrina e Maringá, que também queria que o Iapar fosse para lá, lembra.
Merces é paulista e mora em Londrina há 48 anos. Ela lembra do quanto era difícil a vida na cidade que quase não tinha nada. A poeira e o barro quando chovia eram empecilhos grandes tanta na cidade quanto para viajar para as fazendas.
Francisco Sciarra não se contentou em ajudar a agropecuária só aqui na região. Comprou fazenda na região de Cascavel, e lá foi um incentivador da criação do Parque de Exposições de Cascavel, ao qual deu o nome de Celso Garcia Cid.
Merces lembra também como muita emoção que seu marido sempre pediu para ser enterrado em Londrina. E quando ele morreu, o velório foi na Sociedade Rural. Foi a primeira vez que isto aconteceu, com a autorização do presidente na época, que era José Carlos Tibúrcio. Pelo tanto que ele amava a Rural, foi um reconhecimento que deixou a família toda muito confortada.
Outra homenagem que o marido recebeu foi que o nome da chapa do atual presidente da Rural, Manoel Campinha Garcia Cid, vencedora da última eleição foi: Chapa Francisco Antonio Sciarra.


