Mulheres dominam Concurso Café Qualidade

A prova de que as mulheres têm potencial para produzir um café diferenciado e seguindo os padrões mais exigentes de mercados nacionais e internacionais está nos números do Concurso Café Qualidade do Paraná. Se há três anos elas praticamente não estavam inseridas na competição, a história agora é completamente diferente. Em 2015, as três categorias (natural, cereja descascado e microlote) foram vencidas por mulheres: Ceres Trindade de Oliveira Santos, de Joaquim Távora; Eloir Incência Nogueira de Souza, de Tomazina; e Maria aparecida Maciel, de Japira. Todas elas integram o grupo Mulheres do Café.
Neste ano, dos 41 lotes inscritos para a fase estadual, 22 foram produzidos pelo sexo feminino, o que corresponde 54% do total. Para a fase final, que começa na segunda (3) e segue até sexta (7), seis dos lotes finalistas são de mulheres inseridas no projeto. O evento ocorre no Centro de Qualidade do Café, no Iapar de Londrina. A avaliação acontece em quatro diferentes categorias: café natural, café cereja descascado e despolpado, micro lote da pequena agricultura familiar natural e micro lote da pequena cafeicultura familiar café cereja descascado ou despolpado.
Entretanto, poucas mulheres do grupo ainda produzem cafés especiais e fazem parte de entidades como a Cooperativa dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp) e Associação dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp). Este ano, inclusive, elas receberam o convite para ter um estande na Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé), que se realiza de 26 a 28 de outubro, em Jacarezinho. "Vale dizer que enquanto se pagou R$ 370 pela saca do café convencional, o mercado de cafés especiais para cafeterias pagou R$ 1.200 para uma de nossas produtoras. Infelizmente, devido ao clima, a colheita foi antecipada e não conseguimos um bom volume deste produto. Mas o retorno financeiro está começando a surgir para o projeto neste ano".
PRODUÇÃO
O secretário executivo da Câmara Setorial do Café, Paulo Franzini, informa que a área de café do Paraná tem reduzido ano após ano e o trabalho da agricultura familiar - com a participação ativa das mulheres nos cafezais - se tornou de suma importância. "A mulher está envolvida, com seu olhar diferenciado, um certo nível de gestão da propriedade e, mais do que isso, motivando o marido e os filhos para continuar o trabalho. Elas participam das atividades técnicas, assimilam mais facilmente do que os homens e colocam em prática o conhecimento. Não por acaso, no Concurso Café Qualidade do ano passado, tivemos três mulheres vitoriosas", salienta ele.
A expectativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura (Seab) é que a safra de café deste ano feche entre 1 e 1,1 milhão de toneladas, numa área produtiva de 46,6 mil hectares. O levantamento oficial com o fechamento será divulgado no mês de dezembro, já com a projeção da safra 2017. "Neste ano, a chuva durante a colheita atrapalhou muito a produção, inclusive nas amostras do concurso em se tratando de café de qualidade. Até agora, tivemos bons cafés, mas nenhum de excelência. Vamos aguardar o desenvolvimento da etapa estadual na semana que vem", complementa Franzini. (V.L.)





