Mulher participa das decisões
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sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Durante algum tempo a agricultora Margarete Dias Verussa acreditou que deveria mudar-se do sítio para a cidade a procura de independência financeira e realização pessoal.
''Pensava em morar na cidade, estudar mais, arrumar um emprego, ser independente. Mas descobri que posso fazer isso por aqui mesmo,'' garante Margarete, que mora num sítio no Distrito de Corrêa de Freitas, em Apucarana.
Margarete foi uma das 550 mulheres participantes do 11º Encontro da Mulher Rural, realizado no último dia 24, em Apucarana. O evento, promovido pela Emater, da Secretaria de Agricultura, com apoio da prefeitura, reúne todo ano, sempre no mês de julho, mulheres que se enquadram na chamada agricultura familiar.
Segundo a chefe do escritório da Emater de Apucarana, Jandira Valmorbida, responsável pela organização do encontro, o depoimento de Margarete retrata parte das mudanças que estão acontecendo nos últimos anos com o papel da mulher que vive na zona rural.
''A mulher sempre trabalhou e ajudou o marido nas atividades agrícolas, mas só nos últimos tempos começou a despertar para a necessidade de também gerenciar os negócios'', garante a técnica.
''Quem imaginava que esta postura pudesse trazer conflito às relações familiares teve uma surpresa'', observa Jandira.
O caso de Margarete, garante a extensionista da Emater, é um exemplo: como a agricultora não dirige é o marido Geraldo que a leva para os eventos que participa. Ele apóia toda a iniciativa de gerar novos negócios dentro da propriedade. ''Cada uma passa sua experiência para o outro,'' conta a agricultora. Ela considera que o relacionamento familiar ficou ainda melhor depois que passou a assumir algunas atividades, como o bicho-da-seda que está em seu nome. ''A gente conquista espaço e respeito.''
''Quem saiu do papel de ajuda ao marido na propriedade rural, para se tornar também empresária rural, sócia do negócio, tem uma família mais feliz e uma atividade eficiente,'' completa Jandira Valmorbida.
Responsável pela criação do bicho-da-seda no sítio da família, Margarate, além de cuidar dos filhos e da casa, também auxilia na colheita do mel e comanda uma barraca de produtos agrícolas que mantém dois dias por semana numa feira de Apucarana.
Margarete participa dos encontros de mulheres há seis anos. De lá para cá engajou-se em vários movimentos como associação de pais e mestres, na igreja, no comitê feminino da cooperativa a qual a família é associada, entre outros.
A propriedade da família Verussa é diversificada. Em 17 alqueires eles produzem soja e trigo, café, uva, figo, mel, bicho da seda e eucalipto. Mesmo com uma propriedade já diversificada os planos de Margarete são de procurar novos desafios e conhecimentos. ''A gente não pode ficar acomodada.''
Margarete tem três filhos. O mais velho tem 18 anos; uma menina de 14 anos e o mais novo com 12 anos. Os filhos mais novos ajudam a mãe na propriedade e na feira do produtor. Já o mais velho não demonstra interesse em permanecer na zona rural. Ele está cursando Farmácia na Universidade Estadual de Londrina.
''A gente deixa eles à vontade para escolherem o futuro,'' afirma Margarete. Segundo ela, só a filha, por enquanto, se mostra mais inclinada a continuar o trabalho no sítio.


