Já vai longe o tempo em que a função da mulher na vida da família se resumia aos cuidados dos filhos e da casa. A cada dia ela assume posição de destaque em todos os setores da sociedade. Na agricultura não poderia ser diferente. Estima-se que a mulher agricultora represente 50% da população economicamente ativa.
Mesmo com o índice expressivo, entidades ligadas ao desenvolvimento da agricultura no Paraná, como a Faep, Senar, Sebrae e sindicatos rurais,
querem estimular ainda mais a presença feminina nas decisões da agropecuária, dividindo responsabilidades com o marido na administração, controle e gerenciamento da empresa rural. Para isso vêm promovendo, durante este ano, diversos encontros de mobilização, como o que ocorreu em Cornélio Procópio, na semana passada, reunindo aproximadamente 1,5 mil mulheres.
No Norte Pioneiro, de acordo com Anselmo Bernardelli, presidente do Sindicato Rural de Santa Mariana e do Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte Pioneiro, que promoveu o evento, a participação da mulher é de apenas 11%. Na avaliação dele,''quando a mulher participa da administração a propriedade vai muito bem''.
''A propriedade se torna uma empresa'', completa a agricultora Zeila Maria Gomes Manchini, de Ibiporã (14 km a Leste de Londrina), que desde 1987 assumiu a administração da propriedade dos pais. Com o apoio do irmãos e do marido, ela trabalha com citros, café e apicultura. Zeila destaca a importância de se estar bem formada e informada para a atividade, e para isso cita a contribuição dos cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Apredizagem Rural (Senar/Faep). ''Não fiz apenas os cursos de operador de trator e colheitadeira porque a minha propriedade não comporta'', informa.
Zeila está concluindo o curso de turismo rural e, assim, pensa em implantar mais uma atividade na propriedade. Na companhia de um filho, a empresária rural já deu os primeiros passos para a atividade. ''Temos o privilégio de nossa propriedade estar de frente para o Rio Tibagi'', comemora.
A capacidade de enfrentar e vencer desafios é um dos principais dons da mulher, na opinião da fruticultora Helga Ellwein, que produz abacaxis há quatro anos nas cidades de Cafeara e Lupionópolis. Foi dela a idéia do cultivo da fruta, que recebeu total apoio do marido. Para isso, trocou totalmente de atividade, ela é pedagoga, mestra em didática de ensino da língua alemã.
O sucesso que vem obtendo com os abacaxis, segundo Helga, deve-se a alguns anos de estudos e pesquisas. É da produtora a responsabilidade da comercialização da fruta. Nos períodos de safra negocia cerca de três mil frutas/dia. Aproveitando o conhecimento da língua alemã, Helga, pretende ampliar o negócio investindo em exportações para o mercado europeu, não só do abacaxi in natura, mas da fruta processada e outros produtos artesanais produzidos na região, como doces e compotas.
O senador Osmar Dias (PDT) participou do encontro e se colocou como defensor e incentivador do trabalho da mulher no meio rural. O senador criticou a falta de apoio à mulher rural, como o direito a uma aposentadoria. Segundo ele, há um projeto que propõe uma emenda na lei da aposentadoria, garantindo o direito de um benfício compulsório à mulher rural a partir dos 60 anos. Mas, Osmar Dias não vê ''boa vontade'' do governo na aprovação. Outro projeto que está sendo analisado pela Comissão de Educação do Senado, segundo ele, é o que repassa aos Estados a responsabilidade pelas creches e a educação infantil. A aprovação da medida para ele, poderá beneficiar as trabalhadoras rurais com a construção de creches.
O Encontro Regional de Mulheres Produtoras foi promovido pelo Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte Pioneiro e dos 23 sindicatos rurais patronais da região. Foi o quarto evento realizado este ano, com apoio da Faep e Senar-PR. O próximo encontro, último deste ano, será no dia 26 de novembro, em Maringá.

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