A mulher está ganhando espaço nas decisões da família no que se refere às atividades agrícolas. A afirmação é dos pesquisadores do departamento de sócio-economia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) o economista Moacyr Doretto e o engenheiro agrônomo Dimas Soares Júnior. Doretto explica que o trabalho da mulher, voltado para as atividades de autoconsumo da família, não era contabilizado anteriormente. Cálculos atuais mostram que cerca de 15% da renda da família no campo é gasta no autoconsumo e acaba sendo atribuição da mulher.
Dimas ressalta que a reponsabilidade da mulher pelo cuidado com hortas, animais e trabalhos a serem realizados próximos a casa garantem o suporte para que a realização das demais atividades produtivas na propriedade.
Eles lembram que o desenvolvimento das agroindústrias no Paraná ocorreu com a participação das mulheres. O apoio governamental, esclarece Doretto, possibilitou que elas desenvolvessem a produção de doces, pães e bolachas de acordo com padrões de higiene, qualidade e escala, o que permitiu a inserção desses produtos nos mercados.
Dimas acredita que a sociedade rural está ''menos machista''. ''Quando nós chegamos em uma propriedade rural podemos notar que as decisões não se dão só em função do homem. O agricultor familiar, hoje, toma as decisões em conjunto com a mulher e, em alguns casos, já em conjunto com os filhos'', afirma. Doretto ressalta que a mulher passou a ter mais participação nas decisões até porque algumas linhas de financimento governamental estão voltadas para ela.

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