Mulching ajuda na retomada da atividade em Barra do Jacaré

Na cidade de Barra do Jacaré, no Norte Pioneiro do Estado, um projeto desenvolvido pela Emater deve ajudar o abacaxi a ganhar uma nova chance entre os produtores da região. A técnica se chama mulching com fertirrigação, que nada mais é que uma espécie de plástico preto que cobre a terra preparada para receber as mudas da fruta, diminuindo a incidência de ervas daninhas e melhorando a qualidade final do produto.
A história do abacaxi em Barra do Jacaré começou em 2010, quando a atividade ganhou força numa aposta em conjunto, atingindo 22 produtores e uma área que totalizava 122 mil plantas. Entretanto, ao longo dos anos eles desanimaram, principalmente pela dificuldade do manejo tradicional. Agora, com a tecnologia do mulching em três propriedades de referência, a ideia é que a cultura volte a ser disseminada. No final do ano, os produtores vão colher os primeiros abacaxis e, até o momento, a expectativa é de frutos com peso acima da média, entre 1,8 e 2,5 quilos.
O extensionista da Emater de Barra do Jacaré e Cambará, Antônio Carlos Rossin, trouxe a tecnologia para a região e está animado com os primeiros resultados. Ele explica que o plástico no canteiro segura a umidade e abafa o desenvolvimento das ervas daninhas. "Antes, eles precisavam trabalhar para combater as ervas daninhas apenas na enxada e era um trabalho bem complicado e desanimador. O herbicida recomendado só pode ser utilizado até 30 dias depois do plantio o que dificultava o controle das pragas".
O plantio aconteceu em outubro do ano passado e a colheita acontece entre novembro e dezembro. "Além da redução considerável da mão de obra, já dá pra perceber que as plantas estão com um bom porte e o peso do fruto deve ficar acima da média".
O casal de produtores João Batista e Dima Oliveira Bortolini apostaram na cultura, primeiramente com o manejo tradicional, e agora com o mulching. Antes da tecnologia chegar, eles possuíam 11 mil pés de abacaxi na propriedade. "Nessa época, a lavoura não era irrigada e tivemos problemas com seca, depois geada e também ervas daninhas. Realizamos muitos descartes, pois as frutas ficaram miúdas", relata Dima. Nos cálculos da produtora, os onze mil pés deram um lucro de R$ 10 mil, o que consideraram pouco por toda a mão de obra dedicada pela família. "Eu cheguei a vender três abacaxis por R$ 10", relembra.
A ideia inicial era desistir, até que o extensionista Rossin apresentou o mulching para a família, o que fez com que eles apostassem em pelo menos três mil pés com a tecnologia. "Agora, estamos animados com os frutos que estão por vir. Nossa expectativa é vender cada abacaxi pelo valor de R$ 5, o que nos dará um faturamento de R$ 15 mil, um ganho bem interessante, já que o espaço da terra é pequeno. Para o ano que vem, queremos pelo menos dobrar a área. Vamos aguardar para ver os resultados finais desta primeira experiência".





