Originário da América do Sul, o urucu, ou urucum (Bixa orellana L., da família das bixáceas), é cultivado também em países tropicais de outras regiões do Mundo, e tem uso diversificado na indústria. Pode substituir corantes artificiais em alimentos, bebidas, remédios e na alimentação animal. Em Santa Isabel do Ivaí, Noroeste do Paraná, está sendo feita a primeira colheita comercial de uma lavoura que aparece como nova alternativa de renda em pequenas propriedades rurais diversificadas.
Rui Aparecido Cardoso, ex-bancário, agora comerciante de combustível, tem, como muitos comerciantes, bancários e profissionais liberais daquele município, pequena propriedade rural. Nela, além de café adensado (17 mil pés), ele resolveu fazer uma experiência com urucum. Seu sócio no Auto Posto BR, Benedito Sérgio Patron, igualmente ex-bancário, também pequeno proprietário, plantou outro alqueire. Ambos começaram a colher em julho. É a primeira colheita. ‘‘O urucum dá até três colheitas por safra’’, explicam Rui e Patron.
Rui Aparecido Cardoso e Patron, satisfeitos com a experiênciaProdução e mercadoEles conseguiram sementes (da variedade Peruana paulista) na Embrapa em Belém, PA, e fizeram as mudas. Seis meses depois as sementes eram mudas transplantáveis. A lavoura está com um ano e meio, contando desde a semeadura. O resultado é bom. O trabalho, pouco - ‘‘é uma planta fácil de mexer’’, diz Rui.
Colhida a safra, é hora de vender, mas o preço depende do teor de óleo (bixina) da semente. No meio desta semana, informa Patron, o preço da bixina estava em baixa, girando em torno de R$1,00-R$1,20 o quilo do óleo. ‘‘Mas, observa, o preço depende do teor de óleo. Quem compra as sementes é um intermediário, em Maringá. O intermediário vende para uma indústria de São Paulo. Por enquanto, Patron e Cardoso não venderam nada de sua primeira safra. Elesconcordam que a implantação de uma lavoura de urucum custa pouco, assim como o custeio é baixo.
Na indústria o urucum tem muitas aplicações, como conservante natural ou solvente. A cor, aspecto mais conhecido da planta, é apenas um subproduto.
Os ex-bancários lembram que os técnicos recomendam desbastar as plantas a um ano de idade, mas devido à estrutura dos seus urucuzeiros, eles não deveriam perder essa carga. Assim, em vez de fazer o desbaste agora, passaram a colher.
Dorico da SilvaPlantação está produzindo 1 quilo de sementes por hectareCorante seguroOs índios brasileiros há muito utilizam o urucum para pintar o corpo do rosto aos pés. Além do aspecto visual, o urucum protege a pele dos raios solares, repele insetos, é digestivo, expectorante e tônico do coração. Não é só isto.
O Instituto Tecnológico de Alimentos (Ital, de Campinas, SP) dá mais informações: o corante de urucum não é tóxico, não altera o sabor dos alimentos e bebidas, possui valor nutritivo e pode ser usado na alimentação animal; substitui corantes tóxicos como o escarlate GN, laranja GN, amarelo ácido e azul de hidrarterio, ‘‘todos sem valor nutritivo e possivelmente cancerígenos, muito usados na fabricação de bombons, licores, gelatinas e sorvetes.’’
A Organização Mundial de Saúde aprova o corante de urucum. Técnicos do Ital comparam esse corante natural com o B-caroteno artificial e apontam estas vantagens a favor do primeiro: a - é de origem natural; b - ‘‘sua fração oleosa é extremamente estável em condições ambientes, e também a fração hidrossolúvel é bem mais estável do que a do B-caroteno’’; c - ‘‘apesar do seu valor como corante frente ao B-caroteno ser de 1:3, o corante obtido do urucu pode ser até 20% mais barato quando utilizasdo ao mesmo nível’’; d - é um produto nacional, enquanto o B-caroteno é importado.
Como corante industrial, o urucum é utilizado principalmente em bebidas (refrigerantes, vinhos, licores e cervejas), remédios líquidos ou sólidos, madeiras (vernizes e ceras). Além disso, a massa do urucum é eficaz contra queimadas e picadas de insetos - neste caso, age como repelente.
O colorau, forma mais conhecida do urucum, por seu uso condimentar, é obtido da mistura do pó de pigmento extraído das sementes, com fubá. A proporção é nove partes de pigmento por uma de fubá.
Usos diversosNão ultrapassando os cinco metros de altura, o urucum pode ser usado como planta ornamental, devido a seus frutos e flores. As flores são melíferas, isto é, produzem pólen que as abelhas usarão na fabricação de mel.
Também pode ser empregado na alimentação animal, como fonte de xantofila. Como os alimentos ricos em xantofila são também ricos em caroteno (vitamina A), os ovos das galinhas de granja ficam amarelos como os ovos das galinhas caipiras.
Outros usos: indústria têxtil (seda, tergal, algodão e nycron); cromatografia (telas, películas, filmes); indústria frigorífica (carnes, principalmente salsichas); cosméticos (bronzeadores - protege contra ação dos raios ultra-violetas), laticínios (manteiga e queijos).
RemédioAlém das já citadas aplicações industriais e medicinais, o urucum, como planta medicinal, é usado para controlar: bronquite, diarréia, febre; as sementes são estomáticas (relativas à mucosa bucal), tonificantes do aparelho gastrointestinal. As folhas podem ser aplicadas na fronte, para aliviar dores de cabeça; a raiz triturada dá um pó digestivo; a infusão dos brotos, a frio, pode ser usada para lavar olhos inflamados; a decocção das folhas é empregada em inflamações da garganta e angina de caráter benigno. É hemostático (contra hemorragias) dos ferimentos leves.

mockup