Muito além da laranja
Incremento de área e volume coloca as poncãs em destaque no cenário da fruticultura no Estado; projeto incentiva melhora na qualidade da fruta e consumo de suco
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de julho de 2019
Incremento de área e volume coloca as poncãs em destaque no cenário da fruticultura no Estado; projeto incentiva melhora na qualidade da fruta e consumo de suco
Victor Lopes - Grupo Folha 

No caminhão na beira da rodovia, saída para Ibiporã, uma placa avisa: “4 quilos de poncã por R$ 10”. Não importa se a venda é na estrada, carrinho de mão no Calçadão, gôndola do supermercado ou sacolão do bairro, quem consome frutas já percebeu que a tangerina está por todos os lugares há alguns meses. Um 'tsunami' na oferta do produto.
Fato é que a safra paranaense de citrus vai muito além da laranja, que ocupa o ranking das frutas paranaenses nos dois quesitos mais importantes: volume e VBP (valor bruto de produção) mais elevado. A tangerina – sendo a variedade poncã o carro chefe, seguida da montenegrina e a murcote – também está na cabeça dessa lista, com a terceira maior produção e 5º melhor VBP.
Nos últimos anos, a fruta teve incremento de área e volume, além ser inserida recentemente em programas estratégicos de entidades ligadas ao agronegócio do Estado, que fomentam a qualidade e até o consumo de suco, principalmente na Região Metropolitana de Curitiba (veja na página 6). Números do Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento) apontam que a safra 2017/18, ainda com dados preliminares, fechou em 111,3 mil toneladas, numa área de 6,5 mil hectares. Os números são levemente superiores aos da safra anterior, que fechou em 110,3 mil toneladas e área de 6,3 mil hectares.
As principais cidades produtoras estão no Sul do Estado, no chamado Vale do Ribeira. Cerro Azul e Doutor Ulysses, por exemplo, são responsáveis 66,3 mil toneladas de poncã em 4 mil hectares, o que corresponde a 73% da produção e VBP de R$ 51 milhões. A colheita oficial nesta região vai de abril até o final deste mês, podendo chegar em agosto com menor volume.
O técnico da Emater de Cerro Azul, Marcos Roberto dos Santos, acredita que a área da cidade cresceu 20% na safra atual. Atualmente são cerca de 1,5 mil produtores . “A cidade também tem produção de mandioca e olerícolas, mas o aumento do custo de produção dessas atividades e o consumo não muito forte fizeram com que os produtores se dedicassem mais à poncã.”
Mas isso não significou facilidades nesta safra. O maior problema acabou sendo a mosca da fruta e também a seca atípica. Mesmo assim, com monitoramento forte e o uso de iscas, o pessoal conseguiu entregar um produto de qualidade, como é possível ver inclusive aqui na região de Londrina. “Temos um produto de excelente qualidade, com cor, gosto e o ápice da doçura. Para isso, temos um clima bem adequado, sempre fresco, que requer dias de calor e noites frias, o que desperta a maturação da fruta. Acredito que vamos vender 100% da safra”, relata o extensionista.
Santos explica, entretanto, que mesmo os produtores da região, com toda a expertise, precisam evoluir no manejo. “Boa parte dos produtores continuam trabalhando apenas com herbicidas para controlar ervas daninhas e não investem em outras técnicas, principalmente o que diz respeito à nutrição das plantas.”


