Mudou calendário de vacinações
A alteração vai uniformizar as épocas de vacinações em todo o Centro-Oeste brasileiro, numa estratégia conjunta de controle e erradicação da febre aftosa. No caso do Paraná, explica o chefe da Divisão Sanitária de Defesa Animal, da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado, Felisberto Queiroz Baptista, a mudança será apenas no retardamento para os meses de maio e novembro, ao contrário de outros anos quando se vacinava em abril e outubro.
O chamado Circuito Pecuário do Centro-Oeste, que envolve além do Paraná os Estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, segundo Baptista, está querendo harmonizar as épocas de vacinação e, portanto, obter o controle da doença em bloco.
Mais garantiaDe acordo com o técnico, como há um intercâmbio comercial intenso entre estes Estados, com vacinações em épocas diferentes ficava difícil o controle da aftosa. Com as datas unificadas há garantias de que quando a situação é boa num Estado será boa também nos outros.
Além de uniformizar as datas de vacinação nestes Estados, segundo Baptista, o objetivo é fazer a vacinação em menor espaço de tempo possível, o que possibilitará melhores resultados no controle e erradicação da enfermidade. Também a fiscalização em barreiras sanitárias será facilitada.
Barreiras abertasOutro objetivo da unificação das épocas de vacinação do Centro-Oeste, segundo Baptista, é evitar a quebra de circuitos econômicos, a exemplo do que aconteceu no Sul em 96, quando as barreiras entre os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram fechadas, já que o Paraná ainda não era considerado área livre.
A interrupção do trânsito e da comercialização de animais entre Estados, além de impacto econômico, causa prejuízo social por interromper as relações comerciais. Também dificulta o controle da doença, já que pode resultar em movimentação clandestina de animais.
Ação em BlocoO Paraná está há 34 meses sem ocorrência de foco de aftosa. A rigor, ao completar os 24 meses sem ocorrência, o Estado já poderia ter pedido à Organização Internacional de Epizootias, com sede em Paris, o reconhecimento de área livre com vacinação. A OIE é um órgão internacional do comércio que trata do controle de questões sanitárias na área animal e produtos de origem animal.
Ao contrário disto, afirma Baptista, preferiu-se esperar mais um tempo para que outros Estados com os quais o Paraná tem intercâmbio comercial, também pudessem estar na mesma situação. São Paulo, por exemplo, completará 24 meses sem ocorrência de foco no mês de março e Minas Gerais em maio.
O pedido de área livre com vacinação, portanto, segundo o chefe da Defesa Sanitária Animal do Paraná, poderá ser feito em bloco, no segundo semestre de 98. Ele acredita que a unificação da época de vacinação deverá garantir melhor controle da doença e possibilitar que todos os Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste estejam na mesma situação junto à OIC, já que estes Estados mantêm, naturalmente, uma relação comercial importante para a pecuária.
IntensificaçãoEm 98, afirma Baptista, o objetivo da Defesa Sanitária do Paraná é intensificar, de maneira voluntária por parte dos criadores, através de campanhas esclarecedoras, a vacinação contra a febre aftosa.
Nas últimas campanhas os índices foram mantidos ao redor de 95% de vacinação voluntária, de um rebanho de 9 milhões de cabeças de bovídeos. O restante do rebanho que não é vacinado acaba sendo visitado pela fiscalização da Seab, para exigência da vacinação. O importante, finaliza o chefe da Defesa, é que a partir de suspeita de qualquer doença o caso seja notificado precocemente, já que os resultados de controle serão mais eficientes se aplicados imediatamente.





