Arquivo FolhaQualidadeA expansão da produção de uvas no Nordeste exigiu pesquisas para melhorar a sanidade das mudasUma das principais restrições ao cultivo de frutíferas é a qualidade e sanidade das mudas. Com a rápida expansão da área de plantio e diversificação das frutas na Região Nordeste, o Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Semi-Árido, em parceria com a Embrapa Sementes Básicas, localizadas em Petrolina, PE, e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) estão produzindo e comercializando mudas clonadas, mais eficientes e seguras do ponto de vista fitossanitário.
‘‘As mudas de variedades melhoradas, resistentes e padronizadas, dão condições para o produtor investir com mais segurança’’, comenta o pesquisador Natoniel Franklin de Melo. No ano passado foram produzidas na Embrapa aproximadamente 400 mil mudas de banana, uva, abacaxi, morango. As mudas estão sendo comercializadas ao preço que varia de R$ 0,70 a R$ 1,00.
Além dessas espécies pouco comuns à região, a pesquisa também está trabalhando com outras frutas nativas, como o umbu, que está ameaçado de extinção.‘‘O objetivo é preservar certas espécies e ao mesmo tempo promover sua exploração comercial’’, diz Natoniel.
MultiplicaçãoA multiplicação das mudas está sendo feita através do cultivo ‘‘in vitro’’. A maior parte do material produzido e comercializado foi de videira, principalmente os porta-enxertos. Estas variedades foram multiplicadas, inicialmente, através de meristemas, que são os tecidos embrionários, cuja função é produzir novos tecidos por divisão de suas células. As variedades são indexadas, visando assegurar a ausência das principais viroses, multiplicadas ‘‘in vitro’’ por microestaquia, e levadas a campo para constituição dos matrizeiros.
A viticultura no Vale do São Francisco foi iniciada na década de 70, com a criação de projetos públicos de irrigação. As videiras estabelecidas naquela região apresentam os ciclos produtivos condicionados somente ao controle da poda, conseguindo 2,5 safras anuais. A área é bastante propícia à produção de uvas de mesa para exportação, em que as principais variedades são itália, piratininga, red globe e benitaka, por possuirem vantagens naturais sobre as demais.
Para garantir uma produção de plantas com sanidade comprovada e geralmente mais produtivas, a técnica de cultura de meristemas deve ser associada a técnicas complementares, como os testes de indexação para detecção de vírus, explica o pesquisador. Além disso, as plantas obtidas através de cultura de meristemas são mais estáveis geneticamente do que as originadas de cultura de células isoladas ou de tecidos não meristemáticos.
Segundo Natoniel, a região é responsável hoje por 80% da uva de mesa produzida no Brasil. A maior parte é exportada para Europa, América do Norte e Mercosul. No ano passado foram exportadas 6 milhões de caixas de uva para Inglaterra e Estados Unidos. A produtividade média é de 13,81 toneladas por hectare.
Produção contínuaNa região do Semi-Árido Tropical, a agricultura vem se desenvolvendo rapidamente. O clima, o solo e a água possibilitam a produção durante todo o ano, através dos sistemas de irrigação. Hoje já são l9 pólos de irrigação instalados nas margens do rio São Francisco. ‘‘Mas o potencial para ampliar a área cultivada ainda é muito grande’’, comenta Natoniel.
Segundo o pesquisador, o Ministério da Agricultura vai lançar no próximo mês um programa de incentivo à produção da região, com recursos estimados em R$ 40 milhões que serão aplicados nos sistemas de irrigação. ‘‘Com a rápida expansão de área, introduções de mudas são feitas indiscriminadamente de fontes diversas, sem qualquer garantia de sanidade e muitas vezes sem identidade varietal comprovada’’, diz Natoniel.
Estes fatos contribuem para a entrada de novas pragas e doenças que são veiculadas pelo material vegetativo, especialmente as viroses. Para tentar diminuir estes problemas, os pesquisadores vêm desenvolvendo pesquisas e produção de mudas de uvas livres de virus para a região.
Outras pesquisasAlém do trabalho com videiras, a Embrapa Semi-Árido desenvolve pesquisas também com as culturas do umbuzeiro, tamareira, morango e bananeira.
Na cultura da banana, os trabalhos visam a tolerância ao estresse salino, com a utilização de fungos micorrízicos arbusculares, buscando aplicá-los no substrato na fase de aclimatação das plantas. O cultivo do morango ainda está restrito a algumas áreas de microclima favoráveis, mas também é uma boa alternativa.

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