Mudanças no sistema de produção
A exigência de feijão de boa qualidade pode provocar mudança substancial no sistema de produção. Tradicionalmente uma cultura de pequenos produtores, a produção vai ficar com grandes grupos que fazem o plantio irrigado em Estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais, diz Brandalizze.
Na avaliação do analista, a produção de feijão da safra 2009/10 fica em 3,15 milhões de toneladas, enquanto o consumo sobe para 3,3 milhões. Há dois anos, era de 2,8 milhões de toneladas.
Os estoques finais do produto recuam para apenas 78 mil toneladas. Já estimativas da Conab indicam produção de 3,7 milhões, com consumo de 3,5 milhões.
Apesar das dificuldades dos agricultores com o clima nas safras recentes, a demanda maior e a exigência de um produto de melhor qualidade trazem lucros aos produtores que conseguem colocar um cereal de bom padrão no mercado.
O produto considerado ''nobre'', que chegava a R$ 170 a saca no campo em junho, recuou para até R$ 150 neste mês, período de férias e de menor consumo.
Mesmo a esse preço, o cereal ainda remunera o produtor, segundo Brandalizze, que acredita em nova alta a partir de agosto.
O preço mínimo fixado pelo governo - e que poderá ser reajustado para baixo, como ocorreu com o do trigo - está em R$ 80 por saca.
O consumidor começa a exigir maior qualidade no feijão porque o poder de compra também melhorou, segundo Brandalizze. Há dez anos, o salário mínimo comprava duas sacas de feijão. Hoje, compra quatro, diz ele. (M.Z./Folhapress)





