O deslocamento do eixo de produção de grãos para a região Centro-Oeste do País e a mudança do perfil e tamanho das propriedades levam o Paraná a reavaliar sua posição como Estado eminentemente produtor de grãos e cereais. Produzir matérias-primas com maior valor agregado apresenta-se como uma saída para estimular a sustentabilidade do homem no campo. Entre as opções está a fruticultura.
O mercado comprador da uva é exigente e para competir é preciso ter qualidadeA fruticultura é iniciativa ainda tímida no Estado, mas que deve ganhar espaço maior nos próximos cinco anos. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) quer consolidar a horticultura, produzindo frutas, hortaliças e flores. A meta é ampliar em 36% a área atual (49,8 mil hectares - ha) de frutíferas, aumentando-a para 67,5 mil ha, principalmente das espécies: laranja, tangerina, abacaxi, banana, frutas de caroço, maçã e uva. O objetivo é aumentar a produção, de 700 mil para 1,4 milhão de toneladas/ano.
ReestruturaçãoSegundo o agrônomo Luiz Gusi, diretor do Departamento de Agricultura da Seab (Dagri/Seab), as mudanças serão muito rápidas e o governo atuará como fomentador e difusor dessas novas culturas.
O Paraná, com apenas 2,3% da área do Brasil, produz atualmente 25% dos grãos colhidos, e necessita de uma reestruturação em sua economia, para se adaptar ao novo cenário. Luiz Gusi explica que, para atingir os objetivos propostos, é fundamental a organização dos produtores com um programa de profissionalização, capacitação da assistência técnica, linhas de crédito específicas, e qualificação do produto que atenda as exigências do mercado consumidor. ‘‘Algumas frutas cultivadas no Paraná não têm mercado, devido à falta de qualidade’’, diz Gusi.
Paulo WolfgangA maçã já foi uma das frutas mais cultivadas no EstadoEle cita como exemplos a uva, que tem perdido mercado por causa do grau brix (mede o teor de açúcar) baixo, e o morango, que está sendo rejeitado pelo uso descontrolado de agrotóxicos. Alguns trabalhos de orientação ao produtor já vêm sendo feitos, para melhorar a comercialização. ‘As vezes pequenas mudanças dão ótimos resultados. É o caso da comercialização da banana em ‘‘bouquets’’, que são pequenas pencas, expostas ao consumidor penduradas em ganchos, explica Gusi. Verificou-se que a apresentação diferenciada estimula o consumo.
‘‘Queremos profissionalizar 30 mil produtores num prazo de cinco anos e capacitar 400 técnicos. Nossa expectativa é gerar 62 mil novos empregos diretos’’, comenta o agrônomo.
ProduçãoA fruta mais produzida no Paraná na última safra foi a laranja. Numa área de 11 mil ha, 6.500 produtores colheram 170 mil toneladas (t). A seguir vem a tangerina, com 150 mil t, e a banana com 80 mil t.
Segundo o agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Paulo Fernando de Souza Andrade, a fruticultura é mais uma opção para a diversificação das propriedades rurais. Nos anos iniciais o custo de implantação e formação do pomar são reduzidos pela exploração de cultivos intercalares nas entrelinhas da cultura principal.
A evolução da fruticultura no Estado, com base nos dados históricos da Seab/Emater, mostram que hoje os citrus representam mais da metade da produção de frutas; a banana, melancia e a uva fina de mesa respondem por um terço dessa produção, e a maçã, que já foi a fruta com maior área plantada no Estado, participa com 4% do volume total.
A participação das frutas do Paraná nos mercados da Ceasa vem crescendo desde 86, quando fornecia l7% dos produtos. Em 95 passou para 22%. Comparando-se a área cultivada, a participação cresceu 114% de 1989 a 95.
Da produção estadual de frutas, 80% provêm de espécies de clima tropical e subtropical. A área média por produtor de frutas é de 2,17 ha e a produtividade média é de 18.102 kg/ha. Melancia, morango, maracujá, acerola, goiaba e kiwi destcam-se como fruteiras potenciais a serem desenvolvidas no Estado.

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