O município de Carlópolis, no Norte do Estado, tornou-se referência em produção sustentável de café. Por meio de capacitação e investimento dos cafeicultores em novos métodos de produção, o custo de produção foi reduzido e as lavouras apresentaram incremento de produtividade, passando a servir de modelo para outras regiões paranaenses. O engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Otávio Oliveira da Luz, desenvolve um trabalho pioneiro na região há cerca de 20 anos com o intuito de melhorar as condições de produção de café. A técnica de esqueletamento conhecida como Safra 100, que ainda é novidade para muitos produtores paranaenses, já é praticada há 10 anos no município.
Entre as ações desenvolvidas estão a renovação gradativa dos cafezais, já adequando o espaçamento para a mecanização, o cultivo consorciado com braquiária para proteção do solo e controle de pragas e a análise e correção do solo. ''A introdução de tecnologia na produção é essencial para tornar a atividade competitiva. Quem não implementar as mudanças técnicas necessárias corre o risco de sair do mercado'', analisa. No caso dos pequenos produtores, principais responsáveis pela safra paranaense de café, Oliveira orienta o cultivo adensado para ampliar a produtividade, mas de forma que ainda permita a utilização de maquinário para colheita.
Em Carlópolis, 6,2 mil hectares são ocupados por cafezais e apenas 12 colheitadeiras estão em operação atualmente na cidade. Segundo o agrônomo, o ideal seria a disponibilização de 30 máquinas para atender a demanda da região. Oliveira explica que a mecanização reduz em 30% o custo de produção em comparação à colheita manual. ''Mas antes de qualquer modificação na propriedade, o produtor precisa corrigir o solo, deixando-o equilibrado para dar suporte à lavoura. Se o solo não estiver corrigido e o agricultor fizer o esqueletamento, a planta não terá condições de reagir e há o risco de grandes perdas'', alerta Oliveira.
O cafeicultor Manoel Huguccioni matém 20 hectares de café em Carlópolis há 15 anos e já adota o método do Safra 100 há 10 com o objetivo de reduzir os custos com a colheita. Com a técnica, Huguccioni obteve um aumento de aproximadamente 30% de produtividade. ''Procuro usar alta tecnologia e manter boas práticas de condução da lavoura, com solo bem preparado, adubação foliar e controle de doenças e pragas para garantir bom desempenho. Para lidar com o café é preciso um constante aprendizado'', relata. (M.F.)

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