Essa história das fraudes no leite é uma vergonha! - como diria o jornalista Boris Casoy. Isso é péssimo para o produtor. Nem sempre o consumidor vai saber distinguir o leite enquanto matéria-prima, adulterado na indústria, do leite in natura que sai da fazenda ou sítio. Nem sempre vai entender se a falta de qualidade ocorre da porteira para dentro ou se é resultado de uma manipulação criminosa. Pior é quando a indústria é de uma cooperativa - caso de Minas Gerais - e a opinião pública parte do pressuposto que a cooperativa é do cooperado. Aí sim, a culpa é do produtor. Ou supostamente do produtor. Não tem escapatória.
A não ser que o consumidor saiba de outra verdade, a de que o produtor mesmo não manda quase nada, quem manda é sempre um grupo que se reveza no comando.
Pelo sim ou pelo não, o prejuízo - por causa da ganância industrial - acaba dividido entre os produtores. Prejuízo para a imagem e prejuízo financeiro porque as vantagens da adulteração, com certeza, não lhe são repassadas.
Por essa e por outras razões o cooperativismo brasileiro tem que ser repensado. Esse modelo que aí está, com esse tipo de gestão não serve.
Ninguém vai reconhecer, mas já ouve um certo recuo no consumo de leite. Só não será maior porque o alimento leite é insubstituível. Além disso, o leite está muito barato. É demasiadamente barato. A bebida láctea é nivelada por baixo. Fica na paridade do refrigerante de segunda categoria.
E nesta altura ocorre outra falha no sistema (sistema cooperativo, certo?) que não consegue romper essa cultura de que a proteína de origem animal ou vegetal tem que ser barata. É barata sim, porque o produtor se contenta com a baixa remuneração do seu trabalho, do patrimônio e do capital. No caso dos vegetais o assunto foi discutido aqui, semanas atrás.
Está na hora de rever tudo. O agricultor não reinveste. Diz que está descapitalizado. Adianta ter cooperativas fortes?
Está na hora de chutar o balde.
De rever a relações entre produtor e consumidor. Discutir tudo dentro do cooperativismo brasileiro.
A mudança de gestão passa pela mudança de política. Deve-se discutir alternativas para as lideranças. Mas é hora, principalmente, de discutir esse modelo de eleição que mantém as mesmas pessoas, dos mesmos grupos, apenas alternando os cargos. Minas é bem isso.
A velha guarda do cooperativismo tem que ceder espaço para sangue novo. Projetos novos.

mockup