Mudança de hábito derruba consumo
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Da Redação 
Dados do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo indicam que só no primeiro semestre desse ano o consumo de feijão sofreu uma queda de 30% em relação ao que foi consumido durante todo o ano de 1999 em todo o Brasil.
De acordo com o técnico do Deral da Secretaria de Agricultura do Paraná, Gilberto Martins Bello, a redução no consumo influenciou também o plantio do feijão no Estado e no País.
Em seu último boletim sobre o comportamento da safra de feijão da seca, a segunda safra cultivada no Estado (o Paraná planta três safras de feijão) o agrônomo informou que a área plantada (81.490 ha) foi 51% menor que a anterior e a produção também deverá ficar em 101 mil toneladas, 24% menor.
O mercado, segundo o agrônomo, segue em ritmo lento, com a saca sendo comercializada entre R$30 e R$33 para os feijões comerciais e R$44 a R$45 para os tipos extras.
Menor consumo Segundo o agrônomo, a redução de áreas deu-se em função de vários fatores, entre eles o desestímulo em relação ao preço do feijão, já sentido na safra anterior. Outro fator é que os supermercados, que normalmente mantinham estoques do produto, agora só compram para repor o consumo, que está cada vez menor.
Na década de 70, por exemplo, o consumo de feijão era de 28 kg/habitante/ano. Na década de 90 esse número caiu para 18 kg/habitante/ano e, no primeiro semestre desse ano ficou em 14 kg/habitante/ano. Enquanto que o frango, por exemplo, que na década de 70 tinha um consumo de 2,3 kg/habitante/ano, na década de 90 saltou para 23 kg/habitante/ano.
O feijão foi sendo substituído, aos poucos, por outros tipos de alimentos, como as comidas prontas, lanches rápidos, entre outros. A melhora na renda da população fez com que houvesse uma diversificação na alimentação das pessoas, explica o agrônomo do Deral. Segundo Gilberto Bello, o surgimento de restaurantes que vendem comida por quilo e a necessidade da dona-de-casa de trabalhar para ajudar na renda familiar também foram importantes na redução da compra e, portanto, do consumo do feijão.
Mais no Nordeste Outro fator que influenciou preço, cultivo e mercado do feijão neste ano, foi a safra nordestina, com oferta até o mês de agosto, já que este ano a produção naquela região está sendo beneficiada pelo bom índice pluviométrico, e ainda os estoques remanescentes da primeira safra, com boa parte do feijão preto com qualidade comprometida e sem comercialização.
A terceira safra no Paraná, segundo Gilberto Bello, já está praticamente plantada, com uma estimativa de produção de 10.700 toneladas em 19.625 hectares, uma redução de 36% na área e 40% na produção em relação a safra de inverno do ano anterior, concentrada no Norte do Estado.
O mercado prepara-se para receber a safra irrigada oriunda principalmente de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, esta safra corresponde a apenas 10% de toda a produção anual do País, ofertando basicamente produto de qualidade extra, o que eleva as cotações em um período de baixa oferta concentrada.
Três safras A primeira safra, chamada das águas, é plantada de agosto a novembro, com colheita iniciando fim de novembro até fevereiro. Na segunda safra, a das secas, é plantada de fevereiro até março, com colheita iniciando no final de março até junho. A terceira safra, de inverno, é plantada de abril a junho. Este ano o plantio estendeu-se um pouco mais, até julho, em função da seca.
Normalmente a terceira safra tem a menor área plantada. Este ano, segundo Gilberto Bello, foi ainda mais reduzida. É um plantio de risco, de baixo rendimento, de cerca de 500 quilos por hectare, enquando que na seca produz-se uma média no Paraná de 1.500 a 2 mil quilos por hectare. Na safra das águas a produção média paranaense fica entre 800 a 1000 quilos por hectare.
Reação improvável Esse ano, de acordo com o agrônomo do Deral, todas as safras tiveram áreas reduzidas em função do mercado fraco do feijão. A perspectiva, segundo ele, é que somente em outubro possa haver uma reação de preço já que é uma época de entressafra e não há colheita em nenhum lugar do Brasil.


