Mudança de estilo
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sexta-feira, 13 de junho de 2003
Reportagem Local 
Não é fácil passar da agricultura convencional para o sistema orgânico. Mas é compensador porque o sistema de produção orgânica é o que vai prevalecer. O mercado já está exigindo.
Este é o consenso de técnicos, agricultores e olericultores que participaram esta semana de um curso de agricultura orgânica do Senar-Pr, no Centro de Treinamento Agrícola (CTA) da Faep, em Ibiporã.
''São necessários até cinco anos para consolidar a produção exclusivamente orgânica, mas o produtor começa a sentir a diferença logo no primeiro ou segundo ano de atividade'', garantem os técnicos.
Para o engenheiro agrônomo Luiz Shimizo, professor do curso, ''se disser que é fácil implantar agricultura orgânica, quem passou pelo processo vai dizer que estamos mentindo'', mas a resposta do mercado está sinalizando que a agricultura orgânica é o caminho certo.
Tem a fase de entusiasmo do aprendizado inicial. E no segundo ou terceiro ano é natural que ocorra uma queda de produção. Nesta fase o agricultor pode encontrar dificuldade principalmente porque tende a comparar os resultados da nova técnica com os resultados do cultivo convencional, que são rápidos.
Outro aspecto a ser considerado é com relação às pragas. Há fases em que ocorre incidência de pragas e doenças em maior densidade. Mas nem sempre isto representa dano econômico. O importante é acompanhar de perto a ocorrência e fazer manejo com orientação técnica.
Uma vez superada esta fase, a própria biodiversidade que vai se formar no local acaba criando as condições favoráveis, tanto no solo, através de microorganismos como no próprio ambiente da propriedade como um todo.
A passagem vai de dois a cinco anos, dependendo do uso anterior da área. Pastagens e terra em descanso de dois ou três anos, onde a agricultura foi abandonada, são condições que favorecem a implantação da lavoura orgânica.
Cursos, assistência técnica, troca de experiências e literatura ensinam o caminho para o sucesso do orgânico. Mas a grande pré condição, segundo o professor Shimizo, é a dedicação. ''Agricultor que quer entrar no orgânico, tem que morar na propriedade; não pode se consar de observar a planta. Às vezes o inseto-praga está chegando, mas, com ele, podem estar chegando também inimigos naturais que vão limitar sua proliferação.


