Mudança de cultura é necessária no Estado
"O Paraná não é uma ilha, que está distante dos problemas hídricos do País. O Estado necessita trabalhar para preservar a disponibilidade das águas no meio rural". É dessa forma que o engenheiro agrônomo da área de meio ambiente do Instituto Emater, Udo Bublitz, define a crise hídrica atual, que inclusive limitou a utilização de água por produtores de São Paulo e Minas Gerais.
Apesar dos paranaenses não terem sido atingidos diretamente e possuir uma disponibilidade de água interessante, práticas conservacionistas esquecidas devem voltar a ser adotadas rapidamente, segundo o especialista. "A área rural se descuidou muito da proteção com vegetação da mata ciliar. Há vários municípios do Brasil em que o produtor está realizando um replanejamento no sentido de proteger melhor a propriedade para que, quando chova, essa água infiltre, se armazene e seja liberada progressivamente", explica.
Para Bublitz, o Paraná tem três técnicas conservacionistas que necessita desenvolver melhor: a proteção das áreas agrícolas para que a água permaneça no solo por mais tempo, recompondo assim açudes e mananciais; proteção das matas ciliares, fontes e minas baseado no próprio Código Florestal e fomento intenso da técnica do plantio direto. "O agricultor deve fazer isso não pela legislação, mas para zelar pela profissão dele".
No que diz respeito à irrigação, Bublitz relata que é possível utilizar técnicas sustentáveis. "Se a irrigação for realizada de forma controlada e planejada, com o mínimo de água necessário para cada período, é bastante viável".
No portal Água na Agricultura, a Embrapa também relata algumas técnicas de conservação que podem ser utilizadas pelos produtores. Entre as principais estão as barragens ou "miniaçudes" para captação de enxurradas, que promovem a infiltração da água no solo, interceptando fluxos de erosão laminar favorecendo o aumento da umidade no solo e a elevação do lençol freático. De acordo com a entidade, a construção de minibarragens tem sido realizada desde o início da década de 1990 e já estão catalogadas cerca de 150 mil "barraginhas".(V.L.)





