Mudam critérios para qualidade
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sexta-feira, 30 de abril de 1999
Vânia Casado 
O Paraná será um dos primeiros Estados que terá a produção de leite monitorada conforme os índices de qualidade, que passarão a vigorar no País a partir do ano 2.001, quando será extinta a classificação do produto em tipos A, B e C. O leite produzido no Estado será submetido a um rigoroso controle de produção, onde o laboratório central de análises mantido pela Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) fará as análises de qualidade. Proposta nesse sentido foi aprovada semana passada pelas entidades que representam o setor leiteiro tanto na área governamental como na iniciativa privada.
A proposta foi apresentada pelo superintendente da APCBRH, Newton Ribas, aos líderes da agropecuária paranaense presentes em reunião realizada em Curitiba. Estiveram presentes o secretário da Agricultura, Antonio Poloni, o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, o presidente do Senar, Ronei Volpi, o delegado regional do Ministério da Agricultura, Mário Bezerra, politicos e dirigentes de cooperativas e laticínios. Todos os segmentos se comprometeram em apoiar o processo de melhoria da qualidade do leite, respaldado em análises laboratoriais sob a responsabilidade da APCBRH e fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura.
Um só leiteO monitoramento da qualidade do leite faz parte da nova legislação que prevê a mudança radical na classificação do leite. Será extinta a classificação em tipos e o produto será denominado de leite cru resfriado, passando a obedecer critérios de qualidade, como o índice de gordura e proteínas, e a contagem de células somáticas e bacteriana. O Paraná, que tem o terceiro maior rebanho do País - 1,3 milhão de cabeças e produção de 1,8 bilhões de litros de leite/ano - quer sair na frente com esse serviço.
Conforme a proposta apresentada, o laboratório da APCBRH, que já é referência de controle leiteiro na América Latina, fará o monitoramento de toda a produção de leite do Paraná e Santa Catarina. As análises serão feitas em amostras enviadas pelas indústrias. O resultado das análises servirá tanto para as empresas pagarem o leite pelo índice de qualidade que ele apresenta, como para os produtores fazerem as correções necessárias no manejo em sua propriedade. Isso porque as análises serão extremamente detalhadas e o exame de contagem de células somáticas e bacterianas detecta qualquer tipo de enfermidade que possa estar ocorrendo nos animais sem que o criador se dê conta. Com o resultado das análises, o produtor poderá saber exatamente onde e como corrigir os problemas.
Algumas cooperativas paranaenses como a Batávia, Clac, Witmarsum e Cativa, já estão pagando os produtores de acordo com a qualidade do leite. Os produtores que entregam o leite com maiores índices de gordura e proteínas estão recebendo cerca de 30% a mais do que o preço médio pago no Estado. O monitoramento é feito através do laboratório da APCBRH, instalado na Cidade Industrial, em Curitiba. Esse serviço vem sendo prestado há cerca de 10 anos, quando a entidade firmou um convênio com a Universidade Federal do Paraná e com o instituto canadense Mcgill University, de Montreal, de transferência de tecnologia.
O laboratório foi estruturado com equipamentos eletrônicos e de informática que emitem relatórios mensais, com todas as indicações técnicas sobre o leite produzido na propriedade. O superintendente da APCBRH e professor do Departamento de Zootecnia da UFPR, Newton Ribas, salienta que a união de produtores e Universidade para esse tipo de serviço garante uma orientação segura para os produtores e tranquilidade para as indústrias.
Atualmente são quatro os laboratórios que fazem esse tipo de análise no País: o laboratório da APCBR, em Curitiba; os laborátórios da Universidade Federal de Passo Fundo (RS); da Faculdade Luiz de Queiroz, de Piracicaba (SP), e do Centro Nacional de Gado de Leite, da Embrapa, em Juiz de Fora (MG). Esses laboratórios cobrem perfeitamente a necessidade de análises da produção leiteira das regiões Sul e Sudeste, afirma Ribas. Segundo ele, está sendo sugerido ao Ministério da Agricultura a criação de laboratórios semelhantes em Goiânia e Recife, para atender as regiões Central e Nordeste do País.
O laboratório da APCBRH já está processando mensalmente 30.000 análises de leite, enviadas pela Batavia, Clac, Witmarsun e Cativa, no Paraná, e pela Fleischmann Royal, de Santa Catarina. As indústrias pagam em média R$0,85 por amostra. Com a terceirização do serviço de monitoramento de controle leiteiro, as indústrias ficam liberadas de investir pesado na montagem e manutenção de laboratórios especializados.O laboratório tem condições de processar 70.000 amostras por mês.
A Secretaria da Agricultura apoiará o trabalho de melhoria da qualidade do leite com programas direcionados para mini e pequenos produtores. A meta é intensificar o apoio a essa faixa de produtor, que corre o risco de ser eliminado da atividade, se não aumentar a produtividade. A propriedade que não produzir pelo menos 300 litros de leite por dia não se viabilizará economicamente, adverte Cesar Amin Pasqualin, diretor do Departamento de Pecuária da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. A tendência é o pecuarista dedicar-se exclusivamente à produção de leite e terceirizar outros serviços, como por exemplo, a produção de alimento para o gado, explica Pasqualin.
Na área de treinamento, a Seab vai firmar convênios com entidades que já fazem esse trabalho. Em maio assina convênio com o Centro de Treinamento de Pecuaristas, de Castro, para a capacitação de 350 técnicos e produtores da região Sul do Estado. O curso inclui manejo de vacas em
lactação e ordenha, além de acompanhamento econômico das propriedades para que o pecuarista saiba exatamente quanto está gastando e se o gasto está compatível com a receita estimada.


