A expectativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é quanto à reforma agrária. José Damasceno, diretor estadual do MST, em Curitiba, afirma que o Movimento está confiante, mas enfatiza o papel da sociedade mobilizada para que as mudanças aconteçam.
A eleição de Lula não significa o término da luta agrária. ''A luta pela reforma agrária vai continuar independente do governo. Esperamos que o PT cumpra seu plano de governo, que é mais avançado do que o de um partido de direita. Se vai satisfazer ou não o MST vai depender da demanda que irá surgindo durante o processo''.
Damasceno salienta a importância da organização do povo neste processo. ''Lula sabe: para mudar a estrutura, para distribuição justa de renda é preciso enfrentamento com capital. E isto ele tem que fazer com a sociedade junto. Se fizer sozinho ele não fica no governo'', afirma. ''O Lula na presidência não temos dúvida que irá contribuir para a luta operária e a questão agrária''.
O diretor regional do MST faz o mesmo raciocínio para a concretização do ponto chave da reforma agrária: desapropriação de latifúndios. ''Se houver uma mobilização popular Lula conseguirá desapropriar os 180 milhões de ha improdutivos''.
Sem esta mobilização, segundo Damasceno, irá predominar o domínio dos fazendeiros e a reforma agrária será lenta. ''São os movimentos populares que têm condições de se mobilizar contra este domínio que se dá nas relações do dia-a-dia''.
Ele acredita que a sociedade amadureceu, a constatação é a vitória de Lula, e está pronta para defender o Brasil na hora certa, ''contra a Alca (dez milhões de pessoas disseram não para a Alca, é um número altamente significante), contra o domínio dos EUA, contra a base de Alcântara''.

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