A construção do Centro Tecnológico do Couro de Mato Grosso do Sul (CTC-MS), em Campo Grande (MS), em terreno cedido pela Embrapa Gado de Corte, só ficará pronta em 2003. O lançamento da pedra fundamental foi feito no último dia 13. Mas desde já a Embrapa está promovendo reuniões técnicas sobre couros e peles, a exemplo do que aconteceu esta semana em Campo Grande, com palestras de pesquisadores da entidade e de outras instituições sobre a cadeia produtiva do couro.
O objetivo é transformar o centro tecnológico em um laboratório especializado para pesquisas com esse subproduto animal e para a elaboração de práticas de capacitação do setor coureiro (uma estrutura modelo).
Corrigir perdas Segundo especialistas da Embrapa Gado de Corte, o Brasil deixa de ganhar na balança comercial cerca de US$ 900 milhões ao ano por não investir na melhoria do couro produzido aqui e que é comercializado fora do País. Esse valor é obtido pela comparação da exportação brasileira com a dos Estados Unidos.
Oitenta e cinco por cento do couro exportado pelos americanos é avaliado como sendo do tipo 1, de alta qualidade. De acordo com dados da Embrapa, o Brasil não exporta couro tipo 1 e 60% do volume produzido e que sai do País é de materiais de média e baixa qualidades. O melhor couro nacional soma apenas 8% de todo o produto exportado (tipo 2). Em quantidade, a produção brasileira de peles não fica muito atrás da americana: aqui, são produzidos anualmente 32 milhões de couros bovinos, contra os 36 milhões de animais abatidos nos Estados Unidos.
Gerador de riqueza Segundo o pesquisador da Embrapa, Alberto Gomes, o couro ainda é visto na cadeia da pecuária de corte como um subproduto do boi. Mas, se bem aproveitado, geraria uma riqueza ao Brasil de cerca de 2,2 bilhões de dólares e mais de 200 mil novos empregos.
Por não receberem o pagamento do couro diferenciadamente (é taxado em 7,5% sobre a arroba, independentemente da sua qualidade), muitos produtores marcam o gado em áreas nobres. Fora os defeitos por parasitas e arames na fazenda, outros defeitos são provocados no transporte do animal (com pregos e parafusos expostos) e por salga e esfolagem mal feitas.
Para mudar estes números a instalação do CTC-MS deverá capacitar pessoas para trabalhos em frigoríficos, curtumes, indústrias de calçados, de artefatos em geral e também sobre tratamento de efluentes (resíduos químicos) de curtumes. Faz parte do projeto de criação do Centro, também, a difusão e transferência de tecnologias sobre o produto.
A proposta do CTC-MS é trabalhar não só em pesquisas e beneficiamento de couro bovino, mas também de peles de várias espécies animais, como jacarés, peixes, cervos, capivaras, ovinos, aves, entre outras.
Estão previstos para os próximos meses seminários técnicos sobre couros e peles, reunindo pesquisadores de unidades da Embrapa e consultores de instituições parceiras, como a Universidade de São Carlos (SP), a Universidade de Viçosa (MG) e de centros paulistas de pesquisa de couro existentes em Franca e Jacareí (SP). Os seminários deverão orientar as linhas de pesquisa do CTC-MS.

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