MS lança programa de recuperação de pastagens
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sábado, 15 de dezembro de 2001
Cláudia Barberato<br>De Londrina 
Foi lançado na última terça-feira, 11, em Campo Grande (MS) o Programa Repasto com objetivo de recuperar parte das áreas de pastagens degradadas de todo o Mato Grosso do Sul. Segundo o secretário de Estado da Produção e Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Moacir Kohl, em quatro anos deverão ser recuperados pelo menos quatro milhões de hectares de um total de aproximadamente nove milhões de hectares que estão degradados, sendo 4,5 milhões de hectares em estado crítico. Ao todo o Estado soma hoje 16 milhões de hectares de pasto.
O Repasto, explicou Kohl, é uma das ações do Plano de Desenvolvimento Agropecuário (PDAgro) do governo estadual e levará informações aos produtores e trabalhadores rurais por intermédio de técnicos capacitados em cursos já realizados.
Com o uso contínuo e sem manejo, as pastagens do MS estão em processo de degradação e a lotação de animais tem sido reduzida a cada ano, analisa Moacir Kohl. Em alguns regiões do Estado não se consegue uma lotação de meia unidade animal por hectare enquanto seria ideal ter pelo menos 3 unidades animais por hectare na seca, número que alguns criadores já conseguem em pastagens mais novas.
Moacir Kohl explica que na ocupação dos Cerrados, como um todo, feita de 1975 para cá, as pastagens foram formadas com brachiárias que estão ali há mais de 20/25 anos sem nenhum retorno em adubação ou recuperação. Os solos são planos, fracos, de baixa fertilidade e sofrem erosão e degradação. Por isso é preciso, ressalta Kohl, recuperar grande parte das áreas não só utilizando gramíneas melhores, mas adotando um manejo tecnológico mais moderno, em busca de produtividade.
Em parceria com técnicos e pesquisadores da Embrapa, Universidade do MS, Idaterra (a Emater do MS) e a Secretaria da Produção, os pecuaristas serão orientados de como proceder a recuperação de suas áreas de pasto.
Dinheiro para recuperar
De acordo com o superintendente de Desenvolvimento Econômico do MS, Ermínio Guedes, para implantar o projeto existem linhas de créditos para financiamento da reforma da pastegem. Essas linhas vêm do BNDES, Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, Prosolo, Propasto e Proleite. A previsão é liberar R$ 200 milhões em 2002 e depois R$ 250 milhões em 2003 e R$ 300 milhões nos dois anos seguintes.
Guedes avisa que qualquer pecuarista poderá ter acesso ao financionamento. Segundo ele hoje as áreas de pastagens mais degradadas estão na região do bolsão que engloba municípios desde Bataguassu até Paranaíba, que ficam na costa leste, divisão com São Paulo, onde os solos são arenosos com alta propensão a erosão. Outros pontos de degradação estão no Sul do Estado, nos municípios de Eldorado, Iguatemi, Tacuru, Amambai, entre outros. Nesses locais, de acordo com Guedes, existem muitas propriedades de pecuaristas do Paraná.
Conservação ambiental
O programa não envolve apenas a recuperação das pastagens mas uma conscientização dos pecuaristas sobre a produção sustentável de carne, adotando o manejo rotacionado de pastos, adubação, cuidados com a água, entre outros procedimentos para garantir produtividade e melhor retorno econômico. Segundo Moarcir Kohl, algumas fazendas já estão adotando isoladamente seus projetos de recuperação e a intenção da Secretaria de Produção é ampliar essa conscientização para outras áreas.
Paralelo ao programa Repasto, a Superintendência de Desenvolvimento de Políticas Econômicas do MS, ligada a Secretaria de Produção, está desenvolvendo estudo de onze cadeias produtivas que estão sendo desenvolvidas no MS. Participam da parceria a Secretaria de Receita e Controle e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
De acordo com Moarcir Kohl esse estudo servirá para detectar pontos fracos, positivos, desafios, gargalos, etc; ''com objetivo de propor alternativas de produção e melhorar a rentabilidade de quem trabalha com essas atividades.
Atividades potenciais
O Secretário de Produção disse que alguns dos maiores potenciais de produção em desenvolvimento no MS estão hoje nos setores de algodão e avicultura, essa última em crescimento geométrico no Estado. ''Nesse último ano o processo da avicultura em integração com grandes empresas aumentou em 400% o volume exportado do Estado.''
As onze cadeias em estudo são: algodão/têxtil, avicultura, couro/calçados, energia/fontes alternativas, leite, lixo, mandioca, siderurgia, piscicultura, sojicultura e suinocultura.
Ao final dos estudos das cadeias produtivas a Secretaria de Produção do MS segundo Moacir Kohl poderá ''subsidiar a implementação de políticas e ações governamentais, a partir do diagnóstico e identificação dos problemas existentes, bem como da avaliação das potencialidades, para transformá-las em vantagens comparativas.''
A cadeia produtiva da carne já teve seus estudos concluídos no início do ano, e terá os resultados apresentados no próximo dia 18 com o lançamento do livro Cadeia Produtiva da Carne Bovina em Mato Grosso do Sul, de autoria dos professores Ido Luiz Michels e Renato Luiz Sproesser, do Departamento de Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e do economista e advogado Cláudio George Mendonça.


