Em Mato Grosso do Sul a colheita começou na semana passada e o Estado deve produzir, nesta safra, mais de dois milhões de toneladas de soja. São Gabriel D’Oeste (110 mil hectares plantados), Dourados (100 mil hectares), Chapadão do Sul (80 mil) e Ponta Porã (75 mil hectares) são os municípios que possuem as maiores áreas plantadas.
No total, no ano passado, a área de soja no no Mato Grosso do Sul chegou a 831.459 hectares. Neste ano a área plantada aumentou um pouco, atingindo 845.350 hectares. ‘‘Nossa meta agora é reduzir as perdas com a colheita’’, informa o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Celso Martins. ‘‘O sojicultor deve ter o cuidado para não deixar na terra ou nas estradas todo o trabalho que teve para o plantio’’, recomenda o secretário.
Perda diminuiA previsão do escritório regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que o agricultor obtenha 2.386 quilos por hectare de soja. Para que esse índice seja alcançado, a - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer), órgão do Governo do Estado, lançou nesta safra uma campanha, visando a redução de perdas na colheita da soja.
Segundo o técnico Nelson Nassar, da Empaer, na safra 80/81 a média de perda no Estado era de cinco sacas por hectare. Naquela safra, a área de soja foi de 777 mil hectares. ‘‘Com as perdas ocorridas, os produtores deixaram de colher mais de 233 mil toneladas de soja’’, observa José Marques de Souza, diretor-presidente da Empaer.
Segundo o técnico Nelson Nassar (ele é o coordenador da campanha pela redução da perda da soja na colheita), a safra de 80/81 significou um prejuízo de R$ 71 milhões para os produtores e mais de R$ 8 milhões para o Governo do Estado em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
‘‘As campanhas educativas têm contribuído para diminuir essas perdas’’, acredita Nassar. Na safra 87/88, a perda média caiu para 3,5 sacas de soja por hectare. Mas, nessa safra a área plantada foi de quase um milhão de hectares; consequentemente a produção perdida foi maior, de quase 250 mil toneladas.
A recompensa das campanhas educativas só veio mesmo na safra 94/95, cuja média caiu para 1,98 sacas de soja por hectare. Em 95/96, comenta o técnico Nelso Nassar, a perda foi ainda menor, de 1,27 saca de soja por hectare.
‘‘Queremos nesta safra conseguir que a média de perda fique em uma saca de soja por hectare’’, diz Nassar. Apesar do sucesso das campanhas, o sojicultor deixou de aumentar o seu patrimônio e o Governo deixou de investir em obras sociais, devido aoresultado das últimas safras.
O técnico Nelson Nassar faz as contas e diz que com a perda na colheita da safra 94/95, o produtor poderia ter adquirido 173 tratores ou 71 colheitadeiras. ‘‘O Estado poderia ter construído oito postos de saúde ou dez escolas, ou recuperado 120 km de estradas rurais’’, salienta.
O dinheiro com as perdas na colheita da safra 95/96 seria suficiente, explica Nelson Nassar, para o produtor comprar 106 tratores ou 44 colheitadeiras ou ainda 271 mil toneladas de calcário. Com o dinheiro arrecadado em ICMS, o Governo do Estado poderia construir cinco postos de saúde ou sete escolas.

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