Jota Oliveira
De Londrina
Há alguns anos Folha Rural publicou fotografia de um mourão (ou moirão) vivo, emoldurando a porteira de uma cerca abandonada, no Norte Pioneiro do Paraná. Apesar de ter sido transformada em mourão lavrado, a antiga árvore rebrotara expontaneamente e sua folhagem crescia. Agora já se recomenda a utilização de árvores que, transformadas em mourões vivos, dividem pastos e demarcam os limites de propriedades.
Essa idéia, no Brasil, partiu da Embrapa Agrobiologia, localizada no município de Seropédica, no Rio de Janeiro, que faz pesquisas desde 1984, para adaptar às condições brasileiras o sistema de mourões vivos desenvolvido na América Central, principalmente na Costa Rica. Nesse país lavradores e pecuaristas pregam o arame das cercas diretamente nos troncos de árvores vivas, transformadas em mourões.
O método tem vantagens financeiras (custo menor), econômicas (fornece madeiras para várias atividades) e ambientais (fazem sombra, abrigam pássaaros e outros pequenos animais; garantem a propagação de espécies que poderiam desaparecer, como aroeira, braúna, sapucaia, ipê, canela-preta e outras que estão se extinguindo e cedem lugar a espécies exóticas como eucalipto, que necessita de tratamento químico para não apodrecer rapidamente.
LeguminosasAlém das vantagens já apontadas, os mourões vivos podem ser de espécies leguminosas arbóreas, como a Gliricídia sepium e a Erythrina, que fornecem nitrogênio à pastagem, reciclando nutrientes perdidos para as camadas mais profundas do solo, servem de abrigo para os animais, produzem forragem de alta qualidade e servem de pasto para as abelhas, além de produzir lenha e embelezar a propriedade.
Segundo a Embrapa Agrobiologia, as espécies leguminosas recomendadas no Brasil são principalmente a Glirícidia sepium e a Erythrina, ou mulungu. Como parte da pesquisa, a Embrapa distribuiu 200 kits de sementes da leguminosa Gliricidia sepium, do inoculante de bactérias fixadoras de nitrogênio (ajuda no crescimento e dispensa o uso de fertilizante) e de uma cartilha com instruções para implantação de um banco de produção de estacas e mudas de mourões vivos. Os produtores podem comercializar as mudas, com a marca Embrapa, e agregar valor extra a sua propriedade.
Atualmente a Embrapa tem 380 unidades experimentais em todo o País. Para o ano 2000 está prevista a instalação ‘‘de pelo menos 200 pólos de transferência’’ dessa tecnologia. São áreas de 2 mil metros quadrados, destinadas à produção de novas estacas para uso na propriedade, ‘‘podendo também gerar renda e emprego com a comercialização.’’
VantagensDestaca, a Embrapa Agrobiologia, que o emprego de mourão vivo na propriedade oferece as seguintes vantagens ao produtor, em relação ao sistema normal de cercas: ‘‘menor custo, solução ecológica (substitui a derrubada de árvores ), produção adicional de lenha, forragem e mel, efeito paisagístico, incorporação de nitrogênio, ciclagem de nutrientes.’’
CuidadosFormar uma cerca de mourões vivos necessita de alguns cuidados: atenção na escolha das espécies e no plantio; proteção contra o pastejo, quando as párvores-mourões são plantadas por mudas – é pouca a disponibilidade de espécies com enraizamento por estacas.
Características desejáveis numa planta a ser usada como mourão vivo: rápido crescimento, árvores de pequeno e médio portes, reprodução através de estacas, bom enraizamento.
Espécies recomendáveis: Gliricidia sepium e Erythrina spp. (mulungu).
Além dessas, estão sendo estudadas outras espécies: Casuarina equisetifolia, Mimosa scabrella (bracatinga), Acacia mangium; Leucaena leucocephala, variedade Gigante (K-72) e
Prosopis juliflora (algaroba).

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