Analisando o ano de 1998, a pesquisa brasileira tem que comemorar o fato de ter vencido dois grandes desafios: livrar os campos brasileiros do nematóide-de-cisto-da-soja (NCS) e do cancro-da-haste. São conquistas que significam segurança de produção e estabilidade para a cultura da soja, o principal produto agrícola brasileiro. A afirmação é do chefe geral da Embrapa Soja, José Francisco Ferraz de Toledo.
Em 1997, a Empresa lançou dezessete novas cultivares que encerraram o ciclo do cancro-da-haste no Brasil - trabalho que se consolidou com o desenvolvimento das lavouras na safra 97/98, e a primeira cultivar brasileira resistente ao nematóide-de-cisto-da-soja, a MG/BR-54 (Renascença). Mais duas cultivares com resistência ao NCS - a BRS/MT-Pintado e a BRS/MG-Liderança, foram recomendadas em 1998 para os estados de Mato Grosso e Minas Gerais, respectivamente. ‘‘Essas cultivares podem, associadas a técnicas de manejo, trazer a normalidade para uma vasta área sob infestação pelo nematóide-de-cisto, evitando sérios prejuízos’’. Atualmente, o Brasil tem 1,7 milhão de hectares contaminados pela doença.
DesafiosApesar do otimismo com relação aos resultados de pesquisa, Toledo afirma que ainda há muito o que fazer. Um dos grandes desafios é desenvolver e aprimorar tecnologias que garantam a sustentabilidade agrícola, a preservação do meio ambiente e que proporcionem condições de competitividade aos produtores brasileiros. ‘‘Não dá para pensar em agricultura moderna sem um fator tecnológico forte’’, diz.
Para atender essas demandas, a Embrapa fez um realinhamento de suas atividades. Segundo Toledo, também está sendo desenvolvido um plano diretor para cada unidade, com metas para os próximos cinco anos. ‘‘É um planejamento macro, que a cada ano poderá ser aprimorado, levando em consideração, principalmente, a interação entre a empresa de pesquisa e os seus públicos’’.
Na opinião de Toledo, um fato que marcará os próximos anos é o advento das plantas transgênicas no Brasil. ‘‘Os organismos genéticamente modificados já são realidade em outros países, como Estados Unidos e Argentina. A introdução dessas cultivares no Brasil é uma questão de competitividade, por causa da redução de custos’’, afirma. A Embrapa Soja está desenvolvendo, em parceria com empresas multinacionais, cultivares transgênicas de soja com resistência a herbicidas. ‘‘São materiais avalizados por testes; que proporcionam redução de custos e não representam riscos à saúde e ao meio ambiente’’.
Com a introdução das plantas transgênicas, o aprimoramento de materiais não transgênicos e o investimento em tecnologias de cultivo, a cultura da soja no Brasil do próximo milênio terá um perfil marcado pela produtividade, sustentabilidade e por produtos de qualidade. Toledo lembra que só terá condições de ser competitivo o agricultor que produzir conforme esse perfil. ‘‘É um desafio muito grande que exige uma pesquisa forte’’, conclui.ArquivoPrevisãoToledo: próximos anos serão marcados pelo advento das transgênicasJosiane Schulz

mockup