Cristina Côrtes
Antes de saber como deve ser um bom planejamento para a atividade agrícola, os produtores precisam estar convencidos da importância desta ferramenta de trabalho que se tornou indispensável para os manter na atividade. E, mais do que convencidos, precisam também estar motivados para acompanhar as mudanças. Esta avaliação é consenso entre os pesquisadores Ricardo de Souza Sette e Oswaldo Calzavara, especialistas em administração rural, que discutiram recentemente os temas ‘‘Importância da Administração Rural’’ e ‘‘Planejamento da Atividade Agrícola’’.
Sem privilégiosO agrônomo e professor da Universidade Federal de Lavras (MG), Ricardo de Souza Sette, disse em sua palestra que o planejamento não é mais um privilégio dos grandes produtores. ‘‘Os pequenos e médios produtores também têm que gerenciar sua propriedade e devem começar com a motivação da equipe de trabalho, que são a família e os empregados’’.
O produtor, hoje, sem o apoio do Governo, tem que trabalhar com estruturas coletivas como associações, cooperativas, sindicatos, para mostrar e valorizar a agricultura num contexto econômico mais amplo. ‘‘É muito difícil o produtor sozinho vencer os desafios atuais, e ele precisa atuar no ambiente empresarial, para tornar este ambiente mais favorável para o seu negócio’’, analisou Sette.
Na visão moderna de planejamento, a atividade agrícola tem que estar inserida no agronegócio. ‘‘Esta é uma nova visão, em que as indústrias têm que ver o produtor como parceiro e vice-versa, senão o agronegócio não tem sustentabilidade’’, destacou. Outro fator fundamental é identificar a vocação da propriedade para que o produtor possa ter vantagens competitivas.
O agrônomo e professor da Universidade Estadual de Londrina, Oswaldo Calzavara também destacou em sua palestra que o planejamento deve ser feito tanto nas grandes quanto nas pequenas propriedades. ‘‘O processo de diagnóstico e identificação das principais atividades é o mesmo, independente do tamanho da propriedade’’, diz Calzavara. E o planejamento não deve ser um ‘‘privilégio’’ das grandes propriedades.
EstilosConsiderando o estilo de cada produtor, ou melhor a vocação de cada propriedade, o planejamento deve estar sintonizado com o jeito do produtor administrar. ‘‘É importante adequar os métodos ou processos à maneira de cada um. Destaco dois estilos de produtor: o acomodado e o empreendedor. Cada um deve conduzir sua propriedade a seu modo’’, diz Calzavara.
O planejamento, como comportamento gerencial, deve ser uma prática do dia-a-dia como consertar, arranjar, mudar, aperfeiçoar, evitar desperdícios, entre outras iniciativas.‘‘Quando o produtor compara sua produtividade com a do vizinho, ele já começou a fazer planejamento’’, comentou Calzavara.
Calzavara também falou que no passado não havia planejamento, porque não era necessário. ‘‘A terra tudo dava, o mercado comprava tudo e não exigia qualidade’’, lembrou. A necessidade de planejamento surgiu a partir da perda de poder político dos agriculturos, da depauperação dos solos e a exigência de padrões de qualidade pelo consumidor, explicou. ‘‘E hoje, a exploração da terra exige boa produção e sustentabilidade econômica, ambiental e tecnológica’’.

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