Fotos: Dorico da SilvaTecnologiaO Laboratório de Medicina Aviária da UEL é o único do Paraná credenciado nas três principais doenças das avesAproximadamente 80% das 450 mil propriedades agrícolas existentes no Paraná ocupam áreas menores de 20 hectares (ha), com vocação para explorar a criação de aves ou suínos com um bom rendimento para o produtor. Para cada emprego numa granja são gerados mais 600 novos empregos em toda a cadeia produtiva, até a carne chegar ao consumidor.
A análise é do médico veterinário Ivens Guimarães, professor do Departamento de Medicina Aviária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e coordenador avícola da comissão técnica que organiza o 1º Congresso Brasileiro de Aves, Suínos e Milho, que acontecerá de 6 a 10 de agosto no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina. Ele destaca a importância desse evento para o Sul do País, e especialmente para o Paraná.
‘‘O Paraná dispõe de infra-estrutura privilegiada para promover um maior crescimento da atividade avícola’’, afirma Ivens. Lembrando que a energia elétrica e os recursos hídricos são abundantes, que têm uma boa estrutura viária, distribuição demográfica, porto e corredor de exportação; mercado local interessante e tradição agropecuária, além da proximidade com o Mercosul. ‘‘Todos estes fatores mostram que se hoje a avicultura paranaense ocupa o segundo lugar do Brasil tanto em produção quanto em exportação, poderíamos crescer ainda muito mais’’, completa.
Sustentabilidade‘‘Qualquer atividade econômica depende da sustentabilidade, do ponto de vista econômico e da equidade social’’, comenta Ivens. Ou seja, qualquer negócio para ter sucesso, tem que remunerar todas as partes envolvidas na cadeia produtiva. Se falha algum segemento, acaba compromentendo os outros.
Jefferson Soares, professor da UEL, afirma que as tecnologias na área de reprodução de suínos estão avançadas no Brasil
Neste sentido, o professor analisa que é preciso criar mecanismos para proteger o empresário e produtor, e isto só será possível ‘‘se todos sentarem na mesma mesa’’ para debater os problemas e as soluções. E este é um dos objetivos do 1º Congresso Brasileiro de Aves e Suínos - reunir todos os elos da cadeia produtiva.
‘‘Neste congresso não pretendemos realizar palestras e aulas. A maior parte dos temas serão apresentados em mesas-redondas, para proporcionar o debate e troca de informações’’, informa.
O Brasil disputa com a China o segundo lugar na produção mundial de frangos de corte. Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar. ‘‘A demanda por alimentos no mundo é crescente, e mercados como o Japão, por exemplo, estão abertos à nossa produção’’. A exportação de frangos deve atingir este ano 700 mil toneladas, arrecadando US$ 1 bilhão. Os países que mais compraram carne de frango do Brasil foram Arábia Saudita, com 23% do mercado) e Japão (12%).
Cadeia produtivaDentro do Programa Estadual de Cadeias Produtivas, o professor Ivens Guimarães é responsável pela Cadeia Produtiva de Frango de Corte e afirma que avicultura está muito bem, mas pode ficar muito melhor. ‘‘Acredito que a avicultura vai dobrar sua produção nos próximos 10 anos, em função da expansão da demanda mundial, e é preciso preparar a base científico-tecnológica para dar suporte a este desenvolvimento’’.
Somente no mercado interno a produção de frango de corte deverá crescer, este ano, cerca de 3% em relaçao a 96, produzindo aproximadamente 3,6 milhões de toneladas.
Ivens diz que uma das restrições ainda é a falta de especialistas para o segmento pecuário. ‘‘Falta gente com preparo e experiência para trabalhar com aves, suínos e peixes entre outros’’. Há mais de 20 anos trabalhando com avicultura, o professor afirma que a Universidade Estadual de Londrina é considerada um centro de referência em Medicina Aviária, tendo o único laboratório no Estado credenciado para monitorar as doenças newcastle, salmoneloses e micoplasmose, as três principais moléstias da avicultura.
Mesmo com aquelas instalações são poucos os alunos do curso de Veterinária que optam por esta especialização. E fica uma questão sem resposta: porque uma Universidade Estadual não prioriza um segmento tão importante e em crescimento na economia do Paraná?

mockup