Morangos direto dos canteiros
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
A Feira do Morango retorna para Londrina depois de ficar sem acontecer desde 2002. Londrinenses estão consumindo, diariamente, uma tonelada do fruto, próximo ao Terminal Central de Londrina, atrás do Museu Histórico de Londrina (avenida Leste Oeste). Todos dias, desde o último dia 14 de agosto, produtores da região se revezam na feira. A venda deve prosseguir até o término da safra do morango, previsto o fim de setembro. Logo em seguida, uma Feira Agroindustrial tomará conta do espaço por tempo indeterminado, expondo produtos agrícolas manufaturados pelos próprios agricultores.
''O objetivo é trazer lucro para o consumidor e para o produtor'', destaca Guilherme Casanova Júnior, gerente de Agroindústria da Secretaria de Agricultura de Londrina. Ele explica que a figura do atacadista desaparece. ''O morango é comercializado diretamente entre produtor rural e consumidor'', pontua Casanova. Quando o agricultor vende para o atacadista demora até 30 dias para receber. ''Agora ele (agricultor) pega o dinheiro na hora e pode fazer um melhor preço para o consumidor'', sintetiza.
Casanova é engenheiro agronômo, e diz que a produção de morango recebe menores quantidades de veneno atualmente, havendo baixa presença residual de princípios químicos no fruto quando colhido. Segundo ele, isto é possível porque existem fungicidas e herbicidas que possuem de um até quatro dias para diminuírem a presença residual após a aplicação nos canteiros.
Ele informou que a Secretaria de Londrina vem fazendo um trabalho para selecionar agroquímicos que tenham uma carência residual menor, visando atender melhor as exigências do consumidor, que quer um fruto fresco, sem muitos resíduos químicos.
Casanova acrescenta que os produtos são colhidos no mesmo dia e levados para a Feira do Morango. O gerente comparou o preço de cumbucas nos mercados da cidade que podem chegar a R$ 0,90 cada, bem mais barato do que o da Feira do Morango no terminal, que custa R$ 1,50 cada. ''A maioria dos frutos nestes mercados, embaixo da cumbuca, está estragada'', justifica.
''Vou produzir 10 toneladas de morango até o final de setembro'', comemora Carlos Massami Kamiji, produtor de morango há 40 anos, na Estrada do Emaús, zona sul de Londrina. Segundo ele, os 10 mil pés plantados recebem bem menos veneno agrícola do que há 40 anos. ''As espécies de morango são cada vez mais resistentes a pragas. Uso menos veneno hoje em dia, do que meu pai anos atrás'', destaca Kamiji. Ele cultiva a variedade chilena Camarossi. Entrentato, ele informa que os fungicidas que utiliza demoram de 3 a 4 dias para desfazer sua ação residual sobre os frutos.
Depois de setembro, o gerente da Secretaria da Agricultura informa que haverá no local produtos agroindustrializados como geléia, doce de abóbora, doce de leite, comida japonesa entre outros. ''A idéia é garantir renda o ano inteiro para a família dos agricultores da região de Londrina'', pontua.


