Morango semi-hidropônico chega ao Paraná
No Norte do Paraná, uma tecnologia oriunda dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina começa a atrair produtores de morango. O cultivo da fruta em canteiro suspenso ou semi-hidropônico traz muitas facilidades, tanto no quesito ergonômico para o produtor, que não precisa se agachar para o plantio e manejo, quanto em relação à produção com qualidade.
A técnica pode ser chamada de semi-hidropônica porque além das plantas receberem a solução nutritiva, as bolsas plásticas contam com um substrato (material orgânico) para a estruturação do sistema radicular. As plantas ficam suspensas a 70 centímetros do solo e recebem a alimentação via água de irrigação com os nutrientes.
De acordo com o coordenador estadual de fruticultura da Emater, Élcio Rampazzo, o principal benefício trazido com a técnica é a facilidade para se trabalhar, já que os produtores reclamam de ter que ficar em posição desconfortável, que acaba gerando problemas nas pernas e coluna, por exemplo. "O plantio tradicional acaba limitando a mão de obra, principalmente os de mais idade".
Outro ponto importante é que na técnica da semi-hidroponia, a produção fica protegida por estufa. Um dos principais problemas de quem planta morango são as chuvas, que fazem com que o fruticultor perca até 30% de sua produção no momento da colheita. "Com a técnica, o fruto fica pendurado e não debaixo das folhas. Normalmente, quando se cultiva a nível de solo, caso ocorra precipitações, o fruto ficando debaixo da folha e em contato com o plástico faz com que o processo de apodrecimento seja mais acentuado".
Em relação á produtividade, nesse sistema é possível plantar de forma mais adensada: numa área padrão de 250 m2 coloca-se 3 mil plantas, com colheita média de 2,7 mil quilos de morango. No chão, com o plantio tradicional, nos mesmos 250 m2 plantados, são 1,6 mil plantas com produtividade de 1,8 mil quilos. "O investimento na estrutura de uma área dessas gira hoje em torno de R$ 8 mil, mas já estamos trabalhando com algumas alternativas para baratear esses custos", salienta Rampazzo.
Viveirista de mudas e produtor de morango em Londrina há 27 anos, Ailton Carneiro conheceu a técnica em 2011 e a colocou em prática este ano em uma área padrão de 250 m2 . Ele afirma que chamou sua atenção primeiramente a possibilidade de plantar, colher e trabalhar com o morango em pé, sem a necessidade de se abaixar. "Além disso, quando plantamos na terra, é preciso ficar três anos sem voltar com o fruto na mesma área devido à rotação de cultura", comenta.
Ele relembra que no início do processo uma das principais dificuldades era encontrar a medida correta de nutrientes para a água e se adequar aos momentos certos de irrigação. "Agora estou pegando o jeito do negócio. Dentro da estufa, o fruto fica perfeito, já que não bate vento e chuva para deformá-lo. Em relação ao sabor, é preciso acertar a adubação para que o morango fique mais doce, do jeito que os consumidores gostam".
Carneiro gostou tanto da técnica e já prevê a construção de mais uma estufa, com a expectativa de dobrar sua produção nesse sistema. "Também trabalho com o morango no plantio tradicional. Ainda estou em fase de testes, vendo as variedades que melhor se encaixam, mas até agora estou gostando bastante", complementa. (V.L.)





