Montadoras apostam em lançamentos para driblar crise
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sexta-feira, 08 de maio de 2015
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Ribeirão Preto - A 22ª Feira Internacional de Tecnologia em Ação (Agrishow) terminou no último dia 1 de maio com 30% menos comercialização de máquinas e implementos agrícolas em comparação à edição do ano passado, quando foram faturados R$ 2,7 bilhões. A justificativa dos organizadores para a queda nos negócios está na alta dos juros e na incerteza político-econômica que preocupa os brasileiros.
Entretanto, com o intuito de driblar a crise, as montadoras apostaram em lançamentos para ampliar sua gama de produtos e tentar conquistar novas fatias de mercado. Muitas empresas mostraram na feira implementos voltados ao mercado sucroalcooleiro, esperando uma recuperação do setor.
A Valtra apresentou sua primeira colhedora de cana. A BE1035 conta com um sistema de monitoramento, por meio do sinal de celular, que permite à fábrica avaliar o desempenho da máquina em campo, para indicar soluções preventivas ao cliente. "Sempre ouvíamos o cliente dizer que precisava de uma terceira opção. Agora temos uma solução completa para o setor sucroalcooleiro", resume Jak Torretta Júnior, diretor de marketing da AGCO.
Ele explica que outra inovação da colhedora é a chave cartão, que pode ser codificada para diferentes níveis de acesso. Essa tecnologia permite que a programação varie segundo o nível de especialidade do operador, que não tem a responsabilidade de regulagem do equipamento.
Para realizar a manutenção da colhedora, a AGCO e o Senai, em parceria, inauguraram uma escola móvel para capacitar operadores. Conforme informações da montadora, a oficina itinerante foi customizada em duas carretas conjugadas que totalizam 180 metros quadrados divididos em laboratórios, salas de aula e kits didáticos. Os kits são os sistemas da BE1035, que permitem o treinamento em cada conjunto do maquinário.
A cultura da cana também foi o foco da John Deere, que apresentou duas colhedoras baseadas no conceito Econoflow. Este novo sistema de alimentação, limpeza e hidráulico reduz o consumo de combustível em até 8% e melhora a qualidade da cana colhida. Segundo dados da montadora, o sistema promove ainda menos emissões de carbono no ambiente.
A Jacto escolheu a Agrishow para apresentar um novo conceito de mecanização para a cafeicultura: a K 3500 foi desenvolvida para trabalhar durante o ano todo realizando as operações de colheita, pulverização e poda utilizando um único veículo automotriz. De acordo com Valdir Martins, diretor comercial da Jacto, a máquina foi desenvolvida para trabalhar em plantios tradicionais e também em lavouras adensadas com até 2,5 metros entre linhas.
"Durante a colheita, o café é armazenado em dois reservatórios de 1,5 mil litros e podem ser descarregados sem a interrupção da atividade", descreve Martins, ressaltando que os sistemas de poda e pulverização ainda estão em fase final de desenvolvimento e devem ser lançados entre 2016 e 2017.
A K 3500 conta ainda com um ajuste que aumenta a capacidade de derriça em até 10% e "controles eletrônicos à mão do operador", destaca o diretor comercial. O veículo com a colhedora custa R$ 875 mil.
Já a plantadeira Easy Riser, da Case IH, foi criada para aumentar a capacidade para armazenamento de adubo e sementes. Segundo Christian Gonzalez, diretor de marketing da Case para a América Latina, "a plantadeira é a primeira com reservatório de sementes desenvolvida pela marca e traz tanques de sementes com autonomia 30% superior aos principais produtos do mercado". Os reservatórios têm capacidade para 2,1 toneladas de sementes e 6 toneladas de adubo.
A Easy Riser chega ao mercado em seis opções: 11, 13, 15, 17, 19 e 24 linhas, com possibilidade de dobrar a capacidade de alguns modelos, chegando a 26, 30 e 34 linhas. "A plantabilidade aumenta em 0,67 sacos/hectare. Em uma área de mil hectares de soja, por exemplo, a Easy Riser de 24 linhas finaliza o trabalho com dois dias de antecedência", completa Gonzalez.
A novidade da New Holland para a Agrishow também foi uma plantadeira, a primeira da marca a ser produzida no Brasil. A PL5000 armazena mil quilos de sementes e 6 toneladas de fertilizantes, que garante ao operador trabalhar um dia todo sem precisar abastecer o equipamento.
A jornalista viajou a convite da organização da feira.


