Para conhecer a produtividade do rebanho, o pecuarista terá que estabelecer corretamente a estação de monta na sua propriedade. A recomendação é do pesquisador da Embrapa-Gado de Corte, em Campo Grande (MS), Ezequiel Rodrigues do Valle. É no manejo que o pecuarista pode conhecer e separar os animais mais produtivos. Além disso, na estação de monta o trabalho de controle zootécnico e sanitário é facilitado.
‘‘A identificação de animais produtivos irá determinar índices de produtividade e, consequentemente, lucratividade do rebanho’’, afirma o pesquisador. Segundo Valle, a época de estação de monta varia por região. No Brasil Central tem-se recomendado que a estação tenha duração de três meses, inicialmente, e que depois seja reduzida até chegar aos 75 dias, em média.
Sem segunda chance‘‘Não se recomenda dois períodos de monta’’, avisa o pesquisador. ‘‘Não é econômico dar duas chances aos animais. Num rebanho, por exemplo, com parição prevista para o mês de setembro, onde 70% dos animais conceberam, não é recomendado tentar nova concepção nos 30% dos animais restantes. É preciso que o pecuarista verifique o porquê da quebra na taxa de concepção’.’
Recomenda-se fazer a estação de monta nos meses de dezembro a fevereiro, também em função das chuvas que proporcionarão pasto melhor. A programação da estação neste período fará com que a lactação da fêmea ocorra na época de melhor oferta de pasto.
Estação de monta facilita controle zootécnico e manejo sanitário de todo o rebanhoDurante a lactação há maior exigência nutricional por parte da vaca, principalmente as novilhas de primeira cria. A concepção nos meses de dezembro a fevereiro vai gerar bezerros que nascerão de setembro a novembro, quando os pastos terão melhor oferta de alimento.
Pasto melhorApesar do período de maior exigência nutricional da fêmea ser na lactação, é preciso cuidar da alimentação também no terço final da gestação, que normalmente acontece no período da seca. É aconselhável suplementar os animais ou dar um pasto melhor, principalmente para fêmeas de primeira cria.
A suplementação é feita com sal proteinado. Normalmente os pastos, nesta época, oferecem bastante massa. Mas esse material representa energia e não proteína, que é o que o animal mais precisa nesta fase.
Mesmo um bom manejo do pasto nas águas só representará massa (energia) e não proteína, para oferecer ao rebanho. Muitos criadores reclamam em gastar com suplementação. O pesquisador avisa: ‘‘Fica mais caro é ter vacas vazias por um ano.’’
Mães mais cedoA idade de primeiro parto no Brasil ainda é alta. É preciso reduzir para 33/36 meses. Com o cruzamento, novilhas selecionadas pela genética, bem manejadas em nutrição e sanidade, têm condições de conceber e, portanto, parirem a partir dos dois anos de idade. Fêmeas nelore também podem conceber antes, por volta dos 20/22 meses.
Idade de primeira cria e intervalo entre parto deverá ser reduzida para enfrentar competitividadeDentro da raça nelore, segundo Valle, é possível reduzir ainda mais a idade de primeiro parto. ‘‘No cruzamento do nelore com raças precoces, com animais de médio porte como o aberdeen angus ou o bovino italiano valdostana, é possível reduzir mais a idade de primeiro parto’’. Outras raças, também consideradas de médio a pequeno porte e precoces, podem obter bons resultados na concepção e idade de primeiro parto.
Novilhos e novilhas meio-sangue também entram em fase de puberdade mais cedo. É possível conseguir novilhas meio-sangue parindo com 24 meses, desde que os animais tenham uma nutrição adequada. ‘‘Quando não têm pasto bom para oferecer e se é um mal criador de nelore, ao buscar o cruzamento achando que irá conseguir melhores índices, o pecuarista também será um mal criador de animais cruzados. Até porque os animais de cruzamento são ainda mais exigentes nutricionalmente.’’
Um bezerro por anoCom a restrição alimentar ou anestro (falta de comida) no terço final de gestação, o animal gestante perderá peso e vai parir com estado físico debilitado. Uma das consequências será a demora no retorno do cio para nova concepção. O intervalo médio no Brasil varia muito. A média é de 100 a 150 dias. O ideal é que o intervalo seja entre 40 e 60 dias. ‘‘A meta do pecuarista é que cada vaca produza um bezerro por ano’’.
Uma gestação dura 295 dias, em média. Em 365 dias no ano, sobram 75 dias para emprenhar as fêmeas. Quanto mais cedo a nova concepação, melhor. Nos experimentos da fazenda da Embrapa verificou-se que vaca nelore, gestando bezerro nelore, tem uma gestação menor, de 285 dias em média, do que vaca nelore, gestante bezerro cruzado. ‘‘Ainda não se tem explicação científica para isso’’, avisa o pesquisador.
Nutrição adequadaAntes se falava que o melhor bezerro era aquele nascido no mês sete (setembro). Mas era uma época ruim para a vaca, porque ia atravessar o período de lactação na seca, quando taxa de proteína da matéria seca cai abaixo dos 7%. O animal reduz consumo, perde peso e há prejuízo para nova concepção.
A Embrapa está fazendo trabalho com duas grandes fazendas daquela região para vacas de primeira cria, tentando suprir essa demanda de proteína com aditivos e não substitutivos do pasto, como o sal proteinado.
Quando se faz a cria, recria e engorda, a tendência do pecuarista é dar o melhor pasto aos machos que irão para a engorda e se esquecem das fêmeas, que são as fontes desses machos, ofertando o que sobra de pasto na propriedade, quando deveriam receber alimento de idêntica qualidade. Mudar a mentalidade dos pecuaristas é um desafio. Novilhas ou novilhos mal criados influenciarão na genética do restante do rebanho, ao se tornarem futuras mães e pais.
Pastagens melhoresA recomendação de utilização de melhores pastos varia de região para região. Geralmente em terras de melhor fertilidade tem-se usado o colonião. Onde há pecuária de cria, mais concentrada em terras fracas, usam-se as braquiárias. O bom manejo dos pastos inclui período de descanso da área por 42 dias. O gado deverá permanecer, em média, de sete a nove dias em cada piquete.
Com a rotação de pastagem o pecuarista poderá ter um pasto melhor, colocar mais carga por área e tirar os animais antes do chamado ‘‘pasto rapado’’, para não prejudicar a rebrota das plantas.
Valle relata o trabalho numa fazenda da região de Campo Grande que até 1992 tinha dois períodos de monta, totalizando sete meses de estação e uma média de 50% de natalidade. A estação foi reduzida para três meses, concentrada em novembro-dezembro-janeiro. Reduziram também o rebanho de 12 mil para 8 mil vacas, para a mesma produção de bezerros, de 6 a 8 mil por ano.
Neste caso, afirma o pesquisador, a estação definida e reduzida permitiu separar os animais mais produtivos e aumentar os índices de produtividade do rebanho. Outra vantagem que ele enumera da estação de monta, é facilitar o controle zootécnico e sanitário do rebanho. O manejo de vermifugação, vacinação, entre outros, fica concentrado na época da estação e o pecuarista pode separar seus lotes em idade, sexo e fase.
‘‘Quando se tem animais nascendo em épocas diferentes, há muito dinheiro jogado fora. Ou se está superalimentando animais em boa condição corporal ou devendo comida a outros animais que estão em fase de maior consumo. Mais tarde, querendo adotar tecnologias de creep feeding, inseminação artificial e outros, fazendo a estação de monta, o pecuarista terá lotes uniformes de animais. ‘‘O segredo - diz o pesquisador - é disciplinar as atividades de manejo na fazenda, sempre a partir da estação de monta. ‘‘O resto será uma consequência.’’Mário CésarNutriçãoAlimentação da fêmea no terço final da gestação e durante a lactação deverá ser melhorCláudia Barberato

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