Monitoramento é essencial no controle da doença
A Associação dos Produtores de Soja do Estado do Mato Grosso (Aprosoja) está preocupada com o aparecimento precoce da doença. Para Luiz Nery Ribas, secretário-executivo da Aprosoja, essa pode ser a pior safra desde que a doença apareceu no Brasil, em 2002. É uma conjunção de fatores negativos. O agricultor descapitalizado pode ficar sem recursos para efetuar o controle eficiente da lavoura e os focos já identificados em diversas lavouras implantadas mostram a conseqüência do plantio contínuo de soja em função da safra de inverno, avalia.
Nery aponta outros fatores que, combinados com a ferrugem, podem se transformar em um pesadelo para esta safra. É uma safra com baixo nível de adoção de tecnologias e de investimentos em insumos. O agricultor já vem de uma situação complicada desde o ano passado e podem faltar recursos para conduzir a safra, analisa o secretário, citando como exemplo o número de aplicações contra a doença. Se o clima continuar favorável, muitos agricultores podem ter que fazer até cinco aplicações, quando na verdade estão preparados para duas, em média, diz.
Segundo a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, para evitar aplicações desnecessárias de fungicidas, o agricultor terá que atuar fortemente no monitoramento. O que estamos observando é que o fungo causador da ferrugem não tem encontrado dificuldade de passar de uma safra para outra. O agricultor deve estar consciente que ele vai ter que aprender a conviver com a doença. O que vai definir a agressividade da doença na safra são as condições climáticas favoráveis. Muitas vezes, o foco pode estar em uma região, mas as condições climáticas não favorecem o desenvolvimento da doença. O problema é quando as condições estão propícias, ou seja, quando ocorrem chuvas bem distribuídas. Com essa doença, vale a regra: clima bom para a soja é clima bom para a ferrugem, conclui Cláudia.(R.L.)





