Mesmo descapitalizados, os produtores do Paraná estão investindo na compra de sementes de qualidade que agregam a necessidade de um pacote de alta tecnologia. Os produtores estão confiantes na previsão climática que aponta para um período de normalidade. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, até agora a demanda por sementes e fertilizantes tem sido alta.
‘‘O Paraná é o principal produtor de grãos do País, e é o Estado que tem melhor condição de responder as necessidades de crescimento da produção de alimentos’’, comenta Nelson Costa, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
OtimismoO anúncio de supersafra neste verão, feito no começo desta semana pelo ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes foi baseado nas informações do clima e sobre a comercialização de insumos. Segundo Nelson Costa o aumento anunciado de aproximadamente 10% na produção da próxima safra deve ser possível por dois fatores. Primeiro que boa parte deste aumento deve ser atribuído ao crescimento da área milho, que deverá chegar a 1 milhão de hectares. Segundo, porque a soja deverá ter incremento de produtividade de 1 milhão de toneladas.
A liberação de crédito para médios e grandes produtores chegou na hora este ano e este é também, segundo Nelson Costa, um fator que contribuirá para o plantio na época certa. ‘‘Somente os mini e pequenos produtores é que estão com problemas porque o crédito do Pronaf ainda não está disponível’’, destaca Costa.
Segundo o gerente do Departamento Comercial da Cooperativa de Produção Integrada do Paraná, Luis Yamashita, o Brasil tem potencial para aumentar muito mais sua produção de grãos se tiver uma política agrícola adequada. O técnico acha que a perspectiva de 90 milhões de toneladas anunciada pelo governo não será difícil de ser alcançada se o clima ajudar. ‘‘Os produtores estão animados e com vontade de recuperar os prejuízos da safra passada’’, comenta.
A cooperativa Integrada tem uma área de ação que envolve 23 municípios no Norte do Estado. Seus produtores têm como principais atividades soja , milho, trigo, algodão, café e aveia.
InsumosAo contrário de anos anteriores, o produtor tem investido alto na compra de insumos nas duas últimas safras, mesmo estando descapitalizado. Segundo a técnica do Deral Margoreth Demarchi, este comportamento do produtor, especialmente no Paraná, tem mudado em função da conscientização da necessidade de fazer uma agricultura competitiva. ‘‘Eles investem, mesmo tendo que comprar a crédito. Em outras épocas, depois de um prejuízo havia retração de compra de insumos por parte do produtor’’, comenta.
Nesta safra, no geral, a demanda por insumos está maior. ‘‘os produtores estão adquirindo sementes de alta qualidade e caras e este tipo de semente exige um pacote tecnológico para dar sustentabilidade.’’
PreçosDe acordo com levantamentos feitos pelo Deral, a semente de milho acumula elevação de preços superior a 20% nos últimos 12 meses (fruto do significativo aumento da área cultivada com o cereal nessa safra). A semente de soja, cotada atualmente a R$24,24 a saca de 50 Kg, registra elevação de 3%, em média, em relação ao preço vigente no mesmo período do ano anterior.
No caso dos fertilizantes, os preços das formulações mais usadas para a soja permaneceram mais ou menos estáveis em relação ao ano anterior. A soja leva uma certa vantagem sobre o milho neste item, pois não usa adubos nitrogenados (como a uréia, por exemplo), cujos preços subiram cerca de 50% nos últimos 12 meses.
Nos preços dos defensivos agrícolas, os levantamentos do Deral mostram variações positivas e negativas, no acumulado dos últimos 12 meses, em torno de 10%.
No caso dos herbicidas, constata-se uma pequena redução de preços na média dos produtos, e nos inseticidas, item de menor relevância em termos do desembolso total com a cultura, observa-se, em média, pequena elevação de preços para a maioria dos produtos.
ParanáNo Paraná a previsão para safra de verão, incluindo algodão, amendoim, arroz, feijão, milho e soja é de 15 milhões 918 mil toneladas, um crescimento de 14,7%, comparado com a produção do ano passado. Segundo a agrônoma Vera Zardo, do Deral, a estimativa de recuperação da produtividade é praticamente toda em função do clima. ‘‘Na safra passada perdemos 700 mil toneladas de soja, 200 mil toneladas de milho e 50 mil toneladas de feijão. Considerando safra verão e inverno, perdemos quase 4 milhões de toneladas, pela estiagem e geadas’’, destaca Vera.

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