Momento é favorável para exportação
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sexta-feira, 31 de agosto de 2001
Vânia Casado<BR>De Curitiba 
As cooperativas do Paraná, a exemplo de outros Estados, estão se mobilizando para ampliar sua participação nas exportações de carnes. Para isso, estão dispostas a fazer investimentos em plantas industriais modernas que atendam às regras do mercado internacional. O assunto foi discutido esta semana em Curitiba, com um debate sobre ''O Agronegócio da Carne''. O evento reuniu especialistas, lideranças rurais e criadores e foi uma promoção da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), com apoio do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Paraná (Fundepec-PR).
Fatores favoráveis Para o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, este é o momento ideal de investir na conquista do mercado externo, considerando fatores favoráveis como a desvalorização cambial, a necessidade do País em gerar divisas para sustentar o crescimento econômico e as brechas no mercado externo, deixadas pelos países da União Européia que pararam de fornecer carnes para os países do Leste Europeu e do Oriente Médio.
Recursos do BNDEs Para participarem desse mercado, as cooperativas poderão ser beneficiadas com financiamentos do BNDEs. A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) já encaminhou pedido ao governo federal para obter uma linha de crédito específica, destinada ao Programa de Estímulo a Agroindustrialização, no valor de R$ 3 bilhões.
Esses recursos seriam liberados num prazo de quatro anos, sendo R$ 750 milhões por ano. Conforme o projeto, os financiamentos para investimentos até o valor de R$ 5 milhões terão juros fixos anuais de 5,75% e dois anos de carência, com prazo de pagamento de 15 anos. Os financiamentos para investimentos em valores que excedem R$ 5 milhões terão juros de 8,75% ao ano e o prazo de carência varia de acordo com o período de maturação da atividade.
Segundo Koslovski, da Ocepar, a maior parte desses investimentos devem ser aplicados no setor de carnes. ''As cooperativas estão interessadas em aproveitar o potencial de crescimento desse mercado.''
Mercado europeu Para Aluísio Tupinambá Gomes Neto, assessor especial da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o Brasil tem potencial para ampliar em mais US$ 1 bilhão o faturamento com as exportações de carne bovina e entre US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão as exportações de carne de frango. Este é o espaço que o País pode ocupar no mercado internacional, com a constatação que a Europa deverá ficar fora do mercado externo por um bom tempo, depois da doença da vaca louca. ''O Brasil pode ocupar o lugar que ela fornecia carne e também o próprio mercado europeu'', reforça.
Para isso, no entanto, Tupinambá defende a união de empresas para divulgar melhor os produtos brasileiros. ''Nossos produtos são comprados. As nossas indústrias têm que ser vendedoras'', explicou. Tupinambá disse que a Agência de Promoção à Exportação (Apex) criada para estimular as exportações tem diversos projetos de divulgação de marcas e produtos no exterior, cujos investimentos variam de US$ 6 milhões a US$ 20 milhões, conforme a qualidade dos eventos.
A Apex organiza desde missão de empresários para determinados mercados até participação em feiras, exibição de filmes institucionais ou divulgação dos produtos brasileiros junto a entidades de classe. A agência já programou a participação de empresários brasileiros em 390 feiras até 2005.
Marca do Brasil A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) está desenvolvendo um projeto de divulgação da carne brasileira no exterior com a marca ''Brazilian Beef''. O executivo da Abiec, Enio Marques falou aos empresários sobre as dificuldades de acesso a mercados mais nobres como Europa e Japão. Marques lembrou que vale a pena o esforço para conquistar estes mercados pelo potencial de crescimento que eles apresentam.
A principal dificuldade apontada por Marques é vencer a barreira das ''traders'', empresas que compram a carne bovina nos quatro países do Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil), que reduziram as compras de carne da Argentina, por causa da febre aftosa, e ampliaram as compras no Brasil.
As traders, segundo Marques, continuam limitando as compras em 5% do consumo europeu, limite permitido para as importações da União Européia. ''Para aumentar as vendas de carne brasileira, é preciso conquistar os consumidores europeus'', destaca.
Marketing agressivo Segundo Marques, governo e iniciativa privada vão investir US$ 5 milhões na primeira fase de um projeto de marketing agressivo. ''Primeiro vamos fazer a nossa apresentação em feiras com material de suporte como filmes, slides e seminários. A primeira apresentação será entre os dias 13 a 17 de outubro na Feira de Anuga, que será realizada na Cidade Colônia, na Alemanhã. O Brasil vai ocupar um estande de 700 metros quadrados com os principais frigoríficos de carne bovina, onde haverá espaço para degustação da carne brasileira.''
Marques advertiu os empresários do setor de carnes que o investimento tem maturação de médio e longo prazo e aquele que conquistar novo mercado deve entrar para ficar. ''Se não for assim, o empresário nunca terá fidelização dos mercados e será sempre curinga'', lembrou.
Segundo Marques, o esforço para aumentar as exportações de carne não significa o abandono do mercado interno. ''Pelo contrário, o mercado interno brasileiro é muito atraente, mas é preciso acabar com o fornecimento de carnes clandestinas, que não garantem qualidade ao consumidor''.


