Jota Oliveira
De Londrina
No final do Século 20 o mundo tem 6 bilhões de habitantes e mais de 700 milhões deles ainda passam fome, segundo a FAO – órgão das Nações Unidas para a agricultura e alimentação. Projeta-se para 2020 uma população global de 8 bilhões de habitantes. O vice-presidente da Mylenia Agrociências S.A., José Antônio Fontes, acredita que o Brasil poderá exportar mais carnes, café (com bebida de melhor qualidade) e açúcar, além de outros gêneros alimentícios. Porém, ele observa que, pensando-se no futuro, para fazer frente à demanda crescente de alimentos este ‘‘é o momento de mudanças na agricultura’’.
Discute-se muito a qualidade, mas Fontes avisa: ‘‘Além de qualidade, o mundo exige alimentos em quantidade’’. O industrial acredita que a biotecnologia ‘‘será o principal instrumento para atender essa necessidade.’’
Alimentos mais ricosA biotecnologia ainda é coisa nova - ‘‘estamos na iminência da biotecnologia, que vai colocar na mesa alternativas para o consumidor ter alimentos’’. Esse, para ele, é o ‘‘grande desafio’’, mundial. Na sua previsão o Brasil vai assimilar essa demanda, ‘‘desde que o consumidor tenha benefícios como enriquecimento dos alimentos por meio de proteínas e outros recursos que possibilitarão ‘‘mais tempo de vida com mais qualidade de vida’’.
Uma questão polêmica, que colocou em debate a transgênese, mais moderno instrumento da engenharia genética, foi o caso da soja transgênica resistente a um herbicida que elimina qualquer tipo de planta, inclusive soja que não tiver o gene da resistência ao agroquímico.
O vice-presidente da Mylenia ressalva que a manipulação genética não se destina apenas ao manejo de agroquímicos. Ele prevê que surgirão muitas tecnologias, como plásticos biodegradáveis, menos poluentes; alimentos enriquecidos por qualidades desejadas.
‘‘Também os animais serão modificados, para se adaptar às mudanças alimentícias da população. Então disporemos de alimentos em qualidade, quantidade e preços que permitam o consumo’’, acrescenta.
Era do geneO engenheiro-agrônomo Paulo Roberto Galerani, chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), sediado em Londrina, afirma: ‘‘Passamos da era do computador. Estamos na era da manipulação genética, a grande revolução (em agropecuária) do ano 2000.’’ A própria Embrapa-Soja já produziu soja transgênica, em seus campos experimentais de Londrina, e deve continuar fazendo essas observações em campo.
Galerani não se limita à biotecnologia como fator de desenvolvimento da agropecuária, mas coloca, entre as tecnologias que considera ‘‘revolucionárias’’, outra surgida no final do Século 20: a agricultura de precisão. O pesquisador da Embrapa prevê que essas tecnologias permitirão o salto de qualidade na atividade agrícola ‘‘a partir do ano 2000’’.
A primeira ciência engloba a manipulação genética, ‘‘não só dirigida à resistência a produtos químicos, mas também destinada a produzir plantas com mais proteínas, óleos de melhor qualidade’’ e a introduzir outras ‘‘virtudes desejáveis’’ em vegetais e animais.
A agricultura de precisão é um refinamento do uso da tecnologia que permitirá a aplicação de insumos onde e quando eles forem necessários; proporcionará economia na adubação, ao definir áreas onde se deve aplicar mais ou menos adubos, ou onde não é necessário aplicar nada. Essas áreas são identificadas por satélites que emitem o controle para os equipamentos em terra. É uma tecnologia hoje fora do alcance da maioria dos agricultores. Galerani prevê o surgimento de empresas prestadoras de serviço que alugarão máquinas e equipamentos. ‘‘O agricultor prepara-se para essas tecnologias’’, calcula o pesquisador.Os alimentos são a oportunidade que o Brasil tem de competir no mercado internacional
Pesquisador em um dos laboratórios da Embrapa-Soja, em LondrinaLagartas são criadas em laboratório, para produção experimental de baculovirusManipulação de percevejos, para experimento com controle biológico dessa pragaPesquisador Paulo Roberto Galerani

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