Curitiba - Depois do sucesso no plantio e colheita do trigo, os produtores começam a se voltar para a comercialização do produto. Os moinhos nacionais estão em busca do grão, mas ainda em marcha lenta. A tonelada está sendo vendida entre R$ 430,00 a R$ 450,00, podendo chegar a R$ 480,00 em algumas regiões do Paraná. Para o setor produtivo, a indústria está aguardando preços mais baixos e, por isso, não entrou no mercado com força. Já os moinhos alegam que compram conforme a ‘‘necessidade mercantil’’.
  Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), 48% da lavoura já foi colhido, de um total esperado de 2,7 milhões de toneladas. No entanto, menos de 20% teriam sido comercializados.
  Esta é a maior safra brasileira de trigo desde 1989. A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) estima uma produção total de cerca de 5 milhões de toneladas, o que supre 50% do consumo nacional.
  No Paraná, as geadas e a seca em Francisco Beltrão provocaram perdas, mas não são significativas, segundo os técnicos. ‘‘Algumas outras regiões compensaram as perdas’’, observou o engenheiro agrônomo do Deral, Otmar Hübner.
  O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Guth, também elogia a qualidade do trigo brasileiro. ‘‘Está excelente, muito bom, principalmente no Norte do Paranᒒ, disse. Segundo ele, ‘‘houve comercialização de boa parte’’ e não há pressões da indústria para abaixar preços. ‘‘Evidente que os moinhos vão comprando de acordo com necessidade de moagem’’, acrescentou.
  Apesar da redução de importação, o trigo argentino ainda representa 50% da demanda brasileira.
  O país vizinho produz entre 14 a 15 milhões de toneladas, para um consumo de 5 milhões de toneladas. A tonelada FOB nos portos sul da Argentina está em cerca de US$ 170.
  ‘‘O preço está bem firme, porque os produtores argentinos não têm interesse em vender. Eles sabem que quando colocarem o produto à venda terão comprador’’, disse o analista da Safras & Mercado, Aldo Francisco Carneiro Lobo. ‘‘Os engenhos querem esperar mais um pouco para ver se abaixa um pouco o preço do trigo brasileiro’’, disse.
  Para o gerente de comercialização da Coamo, Roberto Petralska, os moinhos têm que pagar o preço justo do trigo nacional. ‘‘Não defendemos o produto porque ele é nacional, só defendemos que paguem o equivalente aos custos de produção e o suficiente para incentivar o produtor a aumentar a área de plantio’’, explicou. Ele disse que se os moinhos pressionarem o produtor a abaixar o preço, a indústria vai sofrer reflexos negativos.

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