Conforme análises de órgãos do Governo do Paraná citadas na Circular Iapar nº 49, a ''estratégia de modernização'' tornou a agricultura mais dependente do setor industrial, que passou a fabricar no Brasil máquinas, equipamentos e outros insumos utilizados em países desenvolvidos. O crédito rural, condicionado à adoção das novas tecnologias, inclusive para o café, ''foi o instrumento-chave a induzir a modernização''.
Não serviu, porém, à cafeicultura no Paraná, porque 93% das propriedades agrícolas tinham menos de 50 hectares e a política de crédito foi dirigida às médias e grandes (acima de 50 hectares), que absorveram 77% dos financiamentos. ''Os altos custos de formação e condução de lavouras cafeeiras restringiu a decisão dos agricultores em continuar como produtores após a geada de 1975, já que os primeiros retornos (...) seriam obtidos após o terceiro ano, quando as novas variedades iniciam a produção econômica. Nessa circunstância, a sucessão trigo-soja passou a ser o principal sistema de culturas para o mercado a ocupar, mais e mais, as áreas cultivadas com café no Norte do Paraná.''
Segundo análises oficias, a diversificação agrícola custou o desaparecimento de 100 mil pequenas propriedades e êxodo rural entre 1 milhão e 1,2 milhão de pessoas, fazendo surgir a figura do boia-fria e, em 1984, o Movimento dos Sem-Terra.
De um empregado permanente a cada 2,35 hectares de café, a soja baixou a oferta para apenas um emprego a cada 56,2 hectares por período de 4 a 5 meses. (W.S.)

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