Na contramão da maioria dos parentes e demais filhos de agricultores de sua geração, os irmãos João Paulo e Moisés Wasciki, assumiram o controle da propriedade do pai com o objetivo de crescer na atividade. Desde 1973, a família cultivava café em uma área de 14,5 hectares em Cambé. A partir de 2001, com a administração dos irmãos, a diversificação passou a tomar espaço, mesmo a contragosto do patriarca. No início, o café dividiu espaço com o plantio de maracujá e, logo na sequência, cedeu lugar para a soja. Hoje, o cafezal ocupa oito hectares da propriedade, que tem o restante da área tomado com milho e trigo no inverno, e soja no verão.
''Precisamos migrar para outras culturas para sobreviver, o preço do café não estava muito bom e a mão-de-obra é pouca e de baixa qualidade'', justifica Moisés. Além de diversificar a atividade, a família também se tornou prestadora de serviços para outros produtores, executando serviços de plantio, pulverização, colheita e transporte. O investimento em tecnologia e em tratos culturais trouxe resultado e hoje, mesmo com metade da área cultivada anteriormente, a produção de café é maior do que a obtida antes.
''Já enfrentamos anos ruins e chegamos a pensar em ir para a cidade, mas o amor pela terra foi maior e agora não saímos mais. Participamos de treinamentos, cursos e palestras e todas as capacitações disponíveis. Com a mentalidade aberta, conhecemos novos horizontes'', afirma João Paulo, que reconhece a raridade dos casos de filhos que dão sequência ao trabalho na lavoura.
Segundo os irmãos, a tendência para os próximos anos é continuar investindo para incrementar a produtividade de café em uma área cada vez menor. A intenção é diminuir algumas áreas não tão produtivas de café e ampliar o cultivo de grãos. Aos 33 anos, João Paulo alega que, apesar dos avanços no acesso às tecnologias e financiamentos, o agricultor ainda não recebe a devida valorização pelo trabalho que desempenha para a sociedade. ''Com a procura cada vez maior por alimentos e os preços subindo pela falta de oferta, a sociedade começou a olhar para o produtor com visão empresarial, percebendo que produzimos para a vida'', comenta.(M.F.)

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