A Fazenda Palmeira é reconhecida como modelo de sustentabilidade e há mais de 20 anos os proprietários Norbert e Cornélia Gamerschlag adotam medidas para garantir o equilíbrio ambiental, social e econômico. Os mil hectares localizados em Cornélio Procópio são administrados pela família desde a década de 1940.
Quando assumiram a propriedade, no final dos anos 1980, o engenheiro mecânico e a pedagoga se depararam com a monocultura do café. Hoje, os cafezais ocupam 20% da área e são responsáveis por 35% do faturamento. A maior parte da renda (50%) provém do cultivo de grãos, que ocupa metade da área da fazenda. A criação de gado nelore representa 15% do faturamento da propriedade. Mas os administradores continuam na busca por novas opções de renda, como o cultivo de flores tropicais e a inclusão da fazenda como destino turístico da Rota do Café.
Além da diversificação, a família investiu também na qualidade da produção e conquistou o selo de Fair Trade. No quesito social, os Gamerschlag procuram melhorar a qualidade de vida dos funcionários para que permaneçam no campo. A oferta de cursos do Senar na própria fazenda também visa garantir a qualificação da mão de obra e, consequentemente, da produção.
Na área ambiental, Cornélia lembra que, desde 1994, 20% da área é mantida com reserva legal e as áreas de preservação permanente estão averbadas. A destinação adequada dos resíduos é outra política adotada pela família. Em virtude do grande número de moradores na propriedade - cerca de 100 pessoas, entre trabalhadores e familiares -, os administradores organizaram um sistema de recolhimento e entrega adequada dos materiais, cujos custos são cobertos pela própria fazenda.
Sobre a legislação ambiental, o casal critica a ausência de orientação ao produtor. ''Falta instrução para o produtor, que não tem onde se informar sobre a forma correta de trabalhar e acaba arcando com o custo de contratar uma assessoria particular'', reclama Cornélia. Mesmo com os altos custos para registro da mão de obra e elaboração do Projeto de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, os administradores alegam que seguir as exigências é algo inquestionável. ''Estamos convencidos de que tem que ser assim e contamos com a colaboração dos funcionários. Com o tempo, as ações viram rotina. Os gastos fazem parte do custo operacional e temos que cuidar da destinação dos resíduos que geramos. No campo, se não formos atrás de uma solução, ninguém vai resolver o problema por nós'', afirma Norbert.
Um dos fatores que contribuiu para que a família conquistasse o bom desempenho foi a instalação de um silo com capacidade de armazenagem de 20 mil sacas de soja e um secador, que garantiram independência financeira à família. ''A forma de comercializar muda drasticamente com estrutura de armazenagem própria pois podemos optar pelo melhor momento para venda'', explica Norbert.(M.F.)

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