Mudar o modelo de comercialização do gado de corte desde a saída do animal da porteira até a venda da carne no supermercado é um dos principais desafios de pecuaristas e donos de frigoríficos paranaenses para os próximos anos. O tema começou a ser debatido pelo especialista em administração, José Milton Dallari, responsável pelo Programa de Renovação da Bovinocultura no Paraná, desenvolvido pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Dallari esteve segunda-feira em Maringá, onde iniciou no Estado, os debates com pecuaristas. Objetivo é visitar todas as regiões e ampliar as idéias para o novo programa.
Segundo Dallari, que foi ex-secretário nacional de Abastecimento e Preços e de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, o Paraná está na lista dos Estados mais atrasados em comercialização pecuária. O especialista explica que a mudança de padrões não visa apenas o mercado internacional, mas principalmente o interno que consome 92% dos 6,5 milhões de toneladas (média anual) da carne bovina produzida no País.
Reduzir perdas Além da obrigatória preocupação no manejo do animal e do aumento da produtividade aliado ao da qualidade, o pecuarista deve começar a prestar atenção no modelo de venda da carne, diz Dallari. Segundo ele, o mais importante da exportação e da abertura de novos mercados é a descoberta de tecnologias. ''É do mercado internacional que aprendemos como se adaptar às exigências, além de descobrir os benefícios de novas tecnologias'', conta o especialista.
Dallari diz que durante uma pesquisa realizada no interior de São Paulo para a implementação de um programa pecuário, técnicos descobriram que até a forma de se tratar o animal na saída da porteira para o embarque em caminhões com destino aos frigoríficos, é responsável por uma perda significativa de carne. O tratamento dos peões e a ferragem das carrocerias dos caminhões ''magoam'' a carne do boi, condenando a parte afetada para o consumo. ''Ou seja, o pecuarista deve acompanhar o embarque dos animais e exigir dos frigoríficos qualidade no transporte'', reforça Dallari.
Comprometimento da cadeia produtiva Conforme o especialista, o novo modelo pretendido no programa visa toda a cadeia comercial. ''Não adianta também o pecuarista se preocupar com detalhes no transporte se depois do abate o frigorífico não mantém a carne na temperatura mínima exigida'', lembra Dallari.
Outro ponto de destaque nas observações do especialista é que algumas mudanças verificadas hoje em Estados brasileiros um pouco mais avançados no processo de comercialização, partiram dos supermercados. ''As grandes redes têm padrão internacional e por isso exigem uma carne de qualidade até porque o próprio consumidor não age diferente'', ressalta Dallari.
O especialista avisa ainda que o pecuarista e os frigoríficos não terão como escapar das mudanças. ''Por isso o trabalho deve começar desde já'', cita. Dallari acredita que um dos processos mais difíceis para o pecuarista neste sistema de modernização será aceitar a venda da carne desvinculada de outras propriedades como o osso e a gordura. Dallari conta que nos Estados Unidos os frigoríficos já utilizam o ''scanner'', uma máquina que analisa e pesa somente o ''teor'' de carne das peças. ''O preço é definido só pela quantidade de carne'', completa.

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