Criar gado de corte não é uma tarefa fácil. Oscilações constantes nos preços da arroba do boi e a falta de animais para suprir a crescente demanda são ocorrências comuns nesse mercado. Esses gargalos, em muitos casos, geram ao produtor baixa margem de lucro ou, em situações extremas, prejuízos que podem levá-lo à falência. No entanto, com o uso da tecnologia, adicionada a um manejo integrado de pastagens e à adoção de uma boa genética, dificilmente o pecuarista deverá passar por essas dificuldades. No Paraná, por exemplo, essa cartilha vem sendo seguida por uma fazenda na região Norte, que já ''abate'' bons resultados.
A Fazenda Figueira, localizada a poucos quilômetros do Centro de Londrina, é considerada uma propriedade modelo em todo o Brasil na produção de gado de corte e referência em pesquisas ligadas à pecuária. A fazenda, que hoje pertence à Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), de Piracicaba (SP), conseguiu em poucos anos criar um sistema integrado que produz mais e melhor. Em 3.686 hectares de área, a estação experimental abrange diversas pesquisas ligadas às novas variedades de pastagens, manejo adequado do rebanho desde a prenhez até o abate, melhoramento genético, produção de pasto de alta qualidade, entre outros.
Todo esse trabalho e dedicação, segundo José Renato Silva Gonçalves, administrador da fazenda, contribuiu para que a propriedade gerasse lucro mesmo em períodos difíceis de mercado. ''Quando assumimos a propriedade em 2001, ela já possuia algumas cabeças de gado. Entretanto, a produtividade era muito baixa, já que a fazenda se encontrava em estado de degradação'' descreve.
Gonçalves conta que a primeira ação adotada para reestruturar a pecuária naquele local foi iniciar os trabalhos de recuperação das pastagens. O processo, explica ele, começou com o combate às plantas invasoras que, na época, estavam tomando quase toda a área de pasto. ''Se essas plantas forem deixadas, elas comprometem a produção e a qualidade do pasto, dificultando a alimentação dos animais'', elucida. Com a ajuda da empresa Dow AgroSciences, a primeira medida adotada foi o controle dessas plantas por meio do uso de defensivos químicos. Essa ação, conta Gonçalvez, foi o ponta pé inicial para reerguer a Fazenda Figueira.
Hoje, a propriedade conta com mais de cinco mil animais. A fazenda tem, em média, um índice de ocupação de 2,7 cabeças por hectare, ante 0,8 cabeças referente à média nacional. O foco da instituição não é ser um polo de produção de carne, mas sim um centro de pesquisas. Para se sustentar financeiramente, a propriedade comercializa uma pequena parte da produção para frigoríficos da região.

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