Modelo de gestão define eficiência na pecuária
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sexta-feira, 04 de setembro de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A pecuária é hoje muito mais sustentável do que no passado, segundo avalia Alex Lopes, consultor da Scot Consultoria. Ele explica que os frigoríficos, por exemplo, não conseguem comercializar carnes de animais procedentes de áreas de desmatamento, de propriedades em que já houve casos registrados de trabalho escravo ou se houver qualquer outro tipo de pendência. "É impossível vender na ilegalidade", observa Lopes.
O especialista completa que, para garantir o cumprimento das regras, as auditorias realizadas em todos os elos do setor produtivo são constantes. "O setor está aderindo às novas regras, mas ainda há muitas fazendas que estão em processo de adequação." Lopes destaca que não compensa desmatar para produzir carne. Para se manter competitiva, o especialista da Scot afirma que o foco da pecuária moderna deve ser investir cada vez mais na elevação dos índices de produtividade.
Guilherme Souza Dias, zootecnista membro do departamento técnico e econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), explica que mesmo com as mudanças para melhor, a bovinocultura de corte ainda é bastante banalizada, principalmente no que diz respeito à questão ambiental. Ele frisa que uma pastagem bem manejada, por exemplo, até mesmo ajuda a reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2).
Ele avalia que ser sustentável está relacionado diretamente à eficiência do setor produtivo. Melhorar as condições de pastagem é o primeiro passo. Dias observa que já existem linhas de créditos direcionadas à reforma dos pastos. Ele completa que o sistema de integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF), ou a combinação de somente duas atividades, a exemplo da associação da pecuária com floresta, têm trazido bons resultados.
Segundo Dias, a inserção de floresta em uma determinada área torna o sistema produtivo ainda mais sustentável, isso porque uma floresta tem alto potencial de absorção de CO2. Para manter todas essas atividades na ponta do lápis, o zootecnista da Faep alerta que os produtores precisam ter o controle produtivo da propriedade para gerenciar de forma sustentável duas ou três atividades ao mesmo tempo.
À princípio, destaca o especialista, o capital de giro tem que ser maior em um sistema de integração, mas o retorno também será mais elevado. O zootecnista completa que planejamento e gestão são duas palavras que precisam estar no vocabulário do produtor que atua em mais de uma atividade. Segundo ele, as cooperativas que trabalham com a produção de carnes dão um suporte muito bom para os associados, servindo de modelo de gestão a ser seguido.
O especialista da Faep destaca que 15% do aumento da eficiência produtiva na cadeia da bovinocultura de corte depende diretamente de clima, 25% do potencial genético dos animais e 60% do manejo alimentar.


