Os moinhos de trigo do Paraná, responsáveis por 30% da moagem de trigo no Brasil, vivem um momento de ajustes e planejamento diante de um panorama marcado pela redução da safra de 2024 e a necessidade de importação de trigo para suprir a demanda. Com uma produção de 2,5 milhões de toneladas, abaixo dos 3,8 milhões de toneladas do potencial estimado de processamento dos moinhos, o estado precisará importar cerca de 1,7 milhão de toneladas até a próxima safra, que ocorre entre agosto e setembro de 2025.

Metade da produção de farinha do Paraná é destinada a outros mercados, reforçando a necessidade de um suprimento contínuo e competitivo de matéria-prima.

Este contexto estará em discussão no Moatrigo 2025, workshop promovido pelo Sinditrigo-PR – Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná, dia 18 de março, no centro de convenções da Fiep, em Curitiba. O evento, que chega à sua quarta edição presencial, irá reunir especialistas, executivos e profissionais do setor para discutir estratégias, inovações e tendências que podem fortalecer a indústria moageira em um mercado em transformação. Com uma programação abrangente, o Moatrigo se consolida como um dos principais encontros do setor no Sul do Brasil, oferecendo oportunidades de networking e troca de experiências.

AUMENTO NO PREÇO DA FARINHA

A safra de trigo de 2024 no Paraná foi severamente impactada por condições climáticas adversas, como períodos de seca seguidos por chuvas excessivas, o que reduziu a produção e afetou a qualidade do grão disponível para moagem.

Daniel Kümmel, presidente do Sinditrigo-PR, pontua que, além da quebra na produção, parte do trigo colhido foi destinada à produção de sementes, reduzindo ainda mais o volume apto para processamento. “O estado precisará recorrer a importações. Os principais fornecedores serão Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul, além de outras origens pontuais, como Santa Catarina e Cerrado”, cita.

Kümmel destaca que a necessidade de importação e a retração dos vendedores impactam os custos do trigo, com reflexo direto no mercado da farinha. A taxa de câmbio também adiciona um fator de encarecimento, tornando as importações mais onerosas.

“Diante desse cenário, os moinhos devem se preparar para um mercado sustentado em patamares elevados nos próximos meses, com impactos diretos na precificação da farinha e nos custos operacionais. A gestão de estoques, a diversificação de fornecedores regionais e um acompanhamento atento do mercado serão decisivos para mitigar riscos e garantir competitividade”, afirma Kümmel.

PROGRAMAÇÃO

O Moatrigo 2025 terá uma programação diversificada, com palestras e painéis que abordarão desde as tendências de mercado até inovações tecnológicas e estratégias de gestão. Entre os destaques estão:

• "A Jornada de Implantação do Trade Marketing: Como ser Relevante no Novo Varejo", com o professor Rubens Santa’Anna;

• "Safra 2025: Perspectivas e Desafios", com o especialista em trigo da Safras & Mercado, Élcio Bento;

• "Dinâmicas do Mercado de Farinha de Trigo e Derivados no Varejo Alimentar", que discutirá as tendências de consumo e as estratégias para o setor.

Além das palestras, o evento contará com salas temáticas que abordarão temas como Moagem e Trigo, Pesquisa e Desenvolvimento, e Estrutura, Processos e Segurança.

O encerramento será marcado pelo painel "Desafios do Setor Moageiro: O que Esperar para 2025"

As inscrições para o workshop podem ser realizadas no site www.moatrigo.com

(com assessoria)

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