Moageiros estimulam safra de trigo
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sexta-feira, 01 de março de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - A desvalorização cambial e a crise na Argentina, principal produtor de trigo no Mercosul, está deixando representantes ligados ao setor industrial motivados para a safra brasileira da cultura em 2002. A expectativa para este ano é que ocorra um crescimento da produção em torno de 20% em relação a safra do ano passado quando foram colhidas cerca de 3 milhões de toneladas. Tanto os moageiros como o próprio Ministério da Agricultura estimam que a próxima safra alcançará 3,6 milhões de toneladas.
Para o ex-presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Rio Grande do Sul, Valdomiro Bocchese da Cunha, que possui uma filial de sua empresa no Paraná, os empresários do setor e o próprio governo brasileiro perceberam que não podem ficar dependentes das importações, por isso, estão cada vez mais estimulando a produção interna. Bocchese esteve durante a semana em Cascavel participando o 3º Seminário Técnico do Trigo realizado em parceria pela Coodetec e Embrapa.
Comparações
Fazendo uma comparação entre o trigo brasileiro e o argentino, o empresário ressalta que o produto nacional está conseguindo elevar sua qualidade, enquanto o outro vem sofrendo perdas em decorrência da crise e falta de incentivos. Além disso, Bocchese diz que uma das vantagens em comprar o cereal nacional são os preços mais baixos. Está mais difícil importar. Hoje não temos os mesmos prazos de pagamento, frisa.
O empresário acrescentou que tanto produtores como industriais estão aguardando com expectativa o anúncio por parte do Ministério da Agricultura do Plano de Safra do Trigo, que antes de ser colocado em prática precisa ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional. Bocchese explica que a definição de um preço mínimo e do mercado de opções é importante para o planejamento e desenvolvimento da cultura.
O ex-sindicalista entende que o Brasil deveria produzir ao menos metade do que é consumido no país, que atualmente chega a 10,5 milhões de toneladas. No entanto, a última safra nacional atingiu somente 2,9 milhões de toneladas, em uma área plantada de 1,5 milhão de hectares. Para que o Brasil avance na produção de trigo é preciso buscar mercados de exportação e pensar na questão da competitividade, diz.
Plano safra
Segundo Silvio Farnese, assessor da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, pensando na questão da auto-suficiência do trigo é que o governo brasileiro estará apresentando o Plano de Safra do Trigo. Ele acrescenta que o objetivo é atingir nos próximos três anos a meta de 5 milhões de toneladas de trigo em âmbito nacional.
Sobre uma das maiores preocupações dos produtores, a liberação de linhas de crédito, Farnese afirma que tão logo o Conselho Monetário aprove o Plano, o Banco do Brasil deverá iniciar as negociações. Ele observa que para este ano ainda não está definido o montante de recursos disponíveis aos produtores de trigo, valores que no ano passado ficaram em torno de R$ 250 milhões. Os valores deverão ser um pouco superiores a isso, estima.


