Mitos do Plantio Direto
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 2003
Reportagem Local 
Em 1977 o engenheiro agrônomo Márcio João Scaléa trabalhava na Fazenda Itamaraty, em Ponta Porã, MS. Uma chuva forte rompeu curvas de nível e outras práticas aparentemente suficientes para controlar a erosão num sistema de preparo de solo convencional.
A partir daquele momento Scaléa se convenceu de que terracementos, murunduns, canais escoadouros, etc, não eram suficientes para reter a enxurrada. Era preciso não deixar a água escorrer. A chuva precisa ser absorvida pelo solo. Não pode haver impacto da gota d'água com o chão.
Passou a estudar o emprego de plantio direto e está no sistema até hoje. Á água tem que infiltrar no solo para mantê-lo úmido, alimentar o lençol freático e ser disponibilizada''. ''Água que escorre, não infiltra, causa erosão e vai assorear rios. Também não alimenta o lençol freático que, não sendo abastecido, permite que poços sequem e nascentes desapareçam''.
Este é o conceito. O sistema de plantio direto, porém, envolve conhecimentos profundos de manejo de água, solos e plantas. Mas não é difícil e tem que ser adotado. É por isso que Scaléa quer quebrar alguns mitos, velhos paradigmas ou desculpas parar entrar com o arado.
Um mito é o da compactação do solo, que o técnico nem chama de compactação, apenas adensamento superficial.
A cisma de que o solo está compactado leva o agricultor a entrar com grade. Está errado -garante o técnico -, que é gerente técnico de Plantio Direto da Monsanto. Um escarificador ou a ponteira com ''botinha'' no arado resolveria isto.
A gradeação do solo é uma prática superada. Cada gradagem ''queima'', isto é provoca oxidação, de 4 a 8 toneladas de matéria orgânica por hectare. Essa matéria orgânica que é tão necessária para manter a umidade e a produtividade da agricultura.
Outro mito, entre os apontados pelo engenheiro agrônomo - e que são derrubados pela experiência técnica - é o da aplicação de calcário. Há agricultores que alegam dificuldade na aplicação de calcário em PD porque o corretivo tem que ser incorporado. Na verdade - garante Scaléa - a aplicação do calcário pode ser superficial, não justificando entrar com grade.
O terceiro paradigma a ser quebrado é o do herbicida. Não é necessário usar maior quantidade de herbicidas em PD. Basta praticar a rotação de culturas, que ajuda evitar infestação e quebra o ciclo e a sobrevivência de algumas pragas e doenças do solo e daquela cultura.
''Pega uma área praguejada e faz rotação ou pasto por dois ou quatro anos. Com certeza você desinfesta a terra, desintoxica o solo naquela área'' - garante.
O problema não é o PD. O PD é solução. O problema está na monocultura. A explicação do técnico segue enriquecida de exemplos e situações resolvidas ao longo dos 23 anos que trabalha com sistema de PD.
Neste aspecto da ocorrência de pragas e doenças, Scaléa é claro e incisivo - se é para fazer monocultura, então é preferível que não se faça o plantio direto.
SERVIÇO - Contato com Márcio Scaléa: e-mail: [email protected]. Telefones 55-34-3315-0899 e 55-34-0002-2986.


