Missão técnica avaliará criações
Cláudia Barberato
De Londrina
O Paraná poderá ampliar as exportações de carnes para os Estados Unidos e o Canadá. A informação é da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgada na última quarta-feira, dia 18. Missões técnicas dos dois países estarão no Paraná na próxima semana, inspecionando os frigroríficos credenciados para a exportação e acompanhando o trabalho da Defesa Sanitária Animal (DSA), da Seab.
Barreiras revistasAlém do Paraná, os técnicos visitarão também os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Depois das visitas, segundo informação da assessoria da Seab, os técnicos farão relatórios que serão encaminhados às autoridades de seus países, para que as barreiras sanitárias impostas ao Brasil possam ser revistas.
Na opinião do Secretário de Agricultura do Paraná, Antônio Poloni, a vinda das duas missões é resultado da intensificação do trabalho de defesa sanitária, feito pelo Governo, em parceria com a iniciativa privada.
A melhoria da qualidade da produção pecuária do Estado, na opinião de Poloni, poderá abrir novos mercados para o Paraná, garantindo melhoria de renda para os pecuaristas e mais divisas para o Estado e o País.
Frango exportaçãoO Canadá, segundo a Seab, tem interesse na compra de carne de frango e os Estados Unidos querem ampliar as importações de carne bovina industrializada do Brasil.
De acordo com uma estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, o Brasil tem potencial para exportar 100 mil toneladas de carne de frango, especialmente para o Canadá. Deste total, o Paraná poderia contribuir com cerca de 20%.
No caso dos Estados Unidos, o interese, por enquanto, é pela compra de carne bovina industrializada. Num segundo momento, após a declaração de área livre de febre aftosa, poderemos exportar também carne bovina in natura, acredita o veterinário do Deral, Adélio Ribeiro Borges.
Controle de doençasA missão canadense visitará granjas e abatedouros de frangos no Oeste do Paraná, onde se concentra a maior parte da produção. Serão avaliadas as condições sanitárias em que são praticadas a avicultura, explica o chefe da DSA, da Seab, Felisberto Baptista, que estará acompanhando os técnicos. Segundo ele, a preocupação principal da missão canadense é com respeito ao controle das doenças new castle, micoplasmose e salmonelose.
A Seab, em parceria com as cooperativas e indústrias realiza, segundo Baptista, um monitoramento completo em todas as fases da produção de aves. A qualidade sanitária do Estado, afirma Baptista, é satisfatória, o que garante condições de competitividade à atividade avícola.
O Paraná, segundo ele, tem o terceiro maior plantel de aves de corte do País e produz, em média, 830 mil toneladas de carne de frango. O setor gera cerca de 130 mil empregos.
A missão norte-americana também conhecerá o trabalho de vigilância epidemiológica e o controle de movimentação do rebanho bovino. O objetivo, de acordo com Baptista, é avaliar o risco de enfermidades restritivas ao comércio internacional, como a febre aftosa.
RastreabilidadeDepois de ver a produção de frangos, a missão visitará as regiões Norte e Noroeste do Paraná, onde está concentrada a maior parte do rebanho bovino do Estado.
A missão não tem a intenção de fechar negócios, mas é evidente que uma avaliação positiva do USDA é a melhor credencial para despertar o interesse concreto das empresas norte-americanas, avisa Baptista.
Segundo o veterinário, os norte-americanos querem se certificar das condições de rastreabilidade da produção paranaense. A preocupação das indústrias americanas é fornecer todas as informações sobre a origem dos produtos nos rótulos, para atender os mercados mais exigentes. É preciso saber se o Paraná reúne condições para identificar a origem e as condições de criação do animal.





