Missão é valorizar o campo
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sábado, 02 de dezembro de 2006
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Além de possibilitar educação e profissionalizar os filhos de pequenos produtores do Paraná, primordialmente, os colégios agrícolas cumprem a missão de valorizar o campo incentivando a permanência das gerações futuras no meio rural. Constitui-se no trabalho de ampliar os horizontes, aprofundar o conhecimento científico e de produtividade e evitar que os atrativos da cidade seduzam os jovens do interior. Criados há mais de meio século, no Estado, esses estabelecimentos funcionam como paradigmas de contenção do exôdo rural.
''Nossa proposta é mostrar para os filhos dos produtores a importância de voltar para casa, não abandonar o campo e investir na agricultura familiar. Incentivamos a diversificação das culturas, o cultivo orgânico e a integração das atividades ligadas a terra como um forma de garantir a sustentabilidade da vida rural'', explica Roberto Albach, diretor do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) da Lapa, no município da Lapa. Lá, se forma, daqui a duas semanas, a primeira turma de técnicos em Agropecuária.
O estabelecimento que foi criado, em 2004, oferece o curso integrado profissionalizante para egressos do Ensino Fundamental. Estudam na Lapa 140 alunos, dos quais 80 são internos e o restante em regime de semi-internato (das 7h30 às 17h30). ''Atendemos a demanda da região. A procura em média é de 250 candidatos, mas para 2007, vamos abrir apenas duas turmas'', informa o diretor. Em breve, acrescenta, a escola ganhará equipamentos novos como trator, plantadeira, pulverizador, tanque-pipa, misturador de ração e triturador.
''Estamos aguardando essas máquinas e também que os projetos da leiteira e dos dois laboratórios de agroindústrias (carne e embutidos e laticínios e vegetais) sejam implantados'', diz esperançoso Irineu Dobkowski, de 19 anos, aluno interno do 2º ano. ''Para a gente que já vem do campo, a escola abre a cabeça. Aprendi muitas coisas que não sabia como trabalhar com orgânicos, identificar doenças dos bichos e aplicar tratamentos'', conta o rapaz que gosta de animais, embora admita sua preferência pela agricultura. ''Não troco por nada o campo pela cidade'', garante.


