MIP em armazenamento completa dois anos
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sexta-feira, 17 de agosto de 2001
Emerson Dias<BR>De Foz do Iguaçu 
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) em grãos armazenados, sistema desenvolvido pela Embrapa-Trigo de Passo Fundo (RS) e que teve o projeto-piloto implantado no norte do Paraná, completa dois anos recebendo a aprovação de pesquisadores, engenheiros e técnicos agrícolas. Depois de conquistar ótimos resultados, o projeto está agora na pauta do Governo Federal, que deve aprovar o modelo para o resto do País.
Os resultados do trabalho desenvolvido pela equipe do idealizador do MIP, Irineu Lorini, foram apresentados no 4º Simpósio de Grãos Armazenados, realizado em Foz do Iguaçu. Junto com o pesquisador gaúcho, participou também Alcir Antonio Chiari, responsável pela Cooperativa Integrada em Cornélio Procópio. ''Depois de avaliar os resultados que obtivemos lá, a diretoria decidiu implantar o MIP em todas as outras 23 filiais. Maringá, Londrina e Ubiratã já estão usando o sistema'', disse Chiari, lembrando que os baixos índices de insetos encontrados nas amostragens atuais estão atraindo a atenção dos compradores. ''Em um mercado competitivo como o nosso, temos que ser a preferência de qualquer interessado. E o melhor: conseguimos isso sem aumentar os custos'', comemorou Chiari.
Projeto-piloto A unidade de Cornélio Procópio, no Norte do estado, foi a selecionada pelos pesquisadores da Embrapa-Trigo, em 1999, como sede do projeto-piloto. Segundo o criador do MIP, a escolha não foi por acaso. ''O norte do Paraná é o local mais importante do País na produção de trigo e ao mesmo tempo o ponto mais crítico da região sul porque a temperatura é elevada. Pensei: se der certo lá, nos outros outros locais a implantação será bem mais fácil'', declarou Lorini, enquanto apresentava o funcionamento do projeto aos participantes do simpósio.
O MIP utiliza o mesmo tratamento preventivo com produtos químicos, usado nas sementes antes de serem guardadas. O diferencial fica na etapa de armazenamento dos grãos nos silos, onde é usada a Terra Diatomácia, um inseticida natural desenvolvido na Embrapa (a proporção é de um quilo por tonelada de grãos). ''O verdadeiro segredo do sucesso está na conscientização dos empresários quanto à manutenção da estrutura. A limpeza deve ser constante, dentro e fora dos silos'', destacou Lorini, lembrando de locais dentro da cooperativa que não eram lavados há anos. O manejo integrado prevê até mesmo a pintura dos armazéns, capinagem de gramados e jardins e ainda atenção no empilhamento de madeira (um feixe de lenha abandonado, por exemplo, pode funcionar como esconderijo dos insetos). ''Como os funcionários responsáveis pela manutenção já estão ali, o maior investimento está na compra de vassouras'', brincou.
Programa federal Passada a fase experimental, o projeto se espalhou rápido para outras oito cooperativas, entre elas a Coopervale em Assis Chateaubriand e a Cotriguaçu em Palotina. Nos últimos dois anos, 467 técnicos passaram por 14 cursos ministrados pelo pesquisador da Embrapa-Trigo. Como o MIP ganhou status nacional, muitos empresários estão procurando a instituição para implantar o sistema em novos armazéns. ''Estamos ''freando'' a procura e aguardando a aprovação oficial do Ministério da Agricultura. O MIP-Grãos deve se transformar em programa federal ainda este mês'', anunciou Lorini. Mais informações sobre o MIP podem ser conseguidas na Embrapa-Passo Fundo pelo telefone (054) 311 3444 ou pelo site: www.cnpt.embrapa.br


